São Bernardo do Campo, Segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Saúde

Psilocibina protege nervos de ratos contra efeitos da quimioterapia

Testes com animais e tecido nervoso humano indicaram preservação das fibras e do transporte de energia após o uso da substância.

Psilocibina protege nervos de ratos contra efeitos da quimioterapia
Foto: Bloomberg Creative/Getty Images

Testes realizados com ratos indicaram que a psilocibina pode prevenir danos nos nervos provocados pela quimioterapia. A substância, presente em cogumelos alucinógenos, evitou perda de sensibilidade e alterações nas fibras nervosas quando administrada antes do tratamento contra tumores.

O estudo foi publicado na quinta-feira (3/9) na revista Science. A neuropatia associada à quimioterapia causa dor, formigamento e perda de sensibilidade nas mãos e nos pés. Ela pode atingir até 60% dos pacientes, principalmente em tratamentos com medicamentos à base de platina.

Como o dano acontece

A quimioterapia pode atingir neurônios sensoriais, responsáveis por captar estímulos na pele. Nessas células, estruturas que produzem energia precisam se deslocar por longas distâncias até as extremidades dos nervos. Alguns medicamentos interrompem esse transporte. Com menos energia, as terminações nervosas se degradam, reduzindo a sensibilidade e podendo causar dor persistente.

No experimento, os ratos receberam duas doses de psilocibina antes de cada ciclo de quimioterapia. Os animais que não receberam a substância apresentaram perda de sensibilidade e mudanças nas fibras nervosas. Já os que foram tratados previamente mantiveram a estrutura dos nervos e a resposta ao toque. A psilocibina também não interferiu na ação da quimioterapia contra os tumores.

Os pesquisadores identificaram que a substância atua em receptores presentes nas fibras nervosas. Esse processo desencadeia reações que mantêm o transporte de energia dentro dos neurônios. “Estamos demonstrando uma eficácia significativa não no tratamento, mas na prevenção da dor”, afirmou o oncologista Moran Amit, coautor do estudo, à Nature.

Os cientistas também testaram a tabernanthalog, substância que age nos mesmos receptores sem provocar efeitos alucinógenos. Ela evitou danos nos nervos com resultados semelhantes aos da psilocibina.

A equipe analisou ainda amostras de tecido nervoso humano. A quimioterapia reduziu o movimento das mitocôndrias, estruturas que produzem energia nas células. Quando o tecido foi exposto à psilocibina, esse movimento foi preservado. Os autores planejam iniciar um estudo clínico para avaliar a segurança e a eficácia do composto em pacientes com câncer, com uso antes da quimioterapia.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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