A Volkswagen anunciou um plano de reestruturação que prevê o corte de 50 mil empregos até 2030, principalmente na Europa e na Alemanha. A empresa também pretende reduzir pela metade o número de modelos e avalia mudanças no uso de fábricas com capacidade ociosa.
Chamado de Plano Futuro 2030, o programa foi elaborado pelos conselhos fiscal e de administração do grupo. A montadora afirma que se trata do "programa de transformação mais ambicioso da história do Grupo Volkswagen".
As demissões devem atingir trabalhadores de fábrica e profissionais em cargos de gestão. O número é menor que a previsão inicial de 100 mil cortes. Entre as justificativas apresentadas estão os custos operacionais elevados e a capacidade de produção acima da demanda na Europa.
As fábricas de Hanôver, Neckarsulm, Zwickau e Emden, na Alemanha, estão entre as unidades mais subutilizadas. O plano não define o futuro desses locais. A Volkswagen informa apenas que "analisa o uso alternativo das fábricas".
Menos modelos e foco em vendas
Além de reduzir em 50% o portfólio atual, a empresa pretende retirar de linha modelos com baixo volume de vendas. O número de versões também deve cair 75%, como parte da estratégia para simplificar a oferta e diminuir gastos.
A montadora planeja ainda reduzir a quantidade de plataformas e arquiteturas eletrônicas usadas nos veículos. Ao mesmo tempo, pretende priorizar carros com maior procura e manter as vendas globais em 9 milhões de veículos por ano até 2030.
O grupo estabeleceu como meta alcançar uma margem operacional de 9%. No primeiro semestre de 2026, esse indicador estava em 3,8%. O investimento previsto em desenvolvimento de negócios até o fim da década é de € 135 bilhões, valor superior a R$ 800 bilhões.
Futuro da Seat
A Seat também pode ser afetada pela reestruturação. A marca espanhola não aparece no plano oficial, mas uma decisão interna pode levar à sua extinção em 2029. Outra possibilidade seria a venda da fabricante ou a interrupção de suas atividades.
Fundada na Espanha em 1950, a Seat foi comprada pela Volkswagen em 1986. A marca enfrenta dificuldades, com atuação concentrada no próprio país e poucos lançamentos: não apresenta um modelo totalmente novo desde 2020.
A Volkswagen direcionou investimentos para a Cupra, que começou como uma versão esportiva dos carros da Seat e se tornou uma marca independente. A Cupra tem atraído novos públicos, principalmente jovens, e pode substituir indiretamente a marca espanhola até o fim da década.







