São Bernardo do Campo, Segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Carros

Chevette combinou segurança, economia e tração traseira no Brasil

Lançado em 1973, o sedã da Chevrolet ganhou espaço com soluções de segurança, baixo peso e motor voltado ao consumo.

O Chevrolet Chevette chegou ao Brasil com uma combinação pouco comum para um carro popular: motor econômico, tração traseira e soluções de segurança desenvolvidas para reduzir riscos em colisões. Lançado em 1973, o sedã ocupou o espaço de modelo mais acessível da General Motors no país, enquanto o Opala era considerado sofisticado para as massas.

Um projeto global

O desenvolvimento começou em 1970, quando a GM reuniu Chevrolet, Opel, Vauxhall, Holden, Pontiac e Isuzu em torno da plataforma “T”. A proposta permitia que cada marca adaptasse o visual, a motorização e os equipamentos às características do país onde o carro seria vendido.

No Brasil, o Chevette recebeu a primeira geração com a chamada frente “tubarão”. Havia rumores de que o nome europeu teria sido descartado por sua associação com a patente militar “cadete”, mas essa informação nunca foi confirmada. Mais de uma década depois, o Kadett foi lançado no país.

Tanque protegido e direção retrátil

Uma das principais escolhas de engenharia foi retirar o tanque de combustível do assoalho do porta-malas. O reservatório de 45 litros passou para um compartimento inclinado atrás do banco traseiro, posição escolhida pela GM por causa do risco de explosões e incêndios em colisões traseiras, como no caso do Ford Pinto norte-americano.

A mudança reduzia parte do comprimento do bagageiro, mas aumentava sua profundidade. O bocal de abastecimento foi instalado na coluna “C”. Outra solução de segurança era a coluna de direção retrátil, projetada para se romper em batidas frontais e evitar que o volante avançasse contra a cabeça do motorista.

Motor leve e tração traseira

O sedã usava motor 1.4 a gasolina, com 68 cv e 9,8 kgfm enviados ao eixo traseiro. A calibração priorizava a eficiência, uma característica que combinava com os preços elevados da gasolina na década de 1970.

O peso de 830 kg ajudava o carro a enfrentar subidas e arrancadas no trânsito. A tração traseira também proporcionava um ângulo de giro amplo, favorecendo as manobras em uma época em que a direção hidráulica era item de Ford Galaxie. A configuração ainda levou o modelo a ser procurado por praticantes de drift.

O câmbio manual de quatro marchas tinha engates longos. A opção automática, de três marchas, só apareceu a partir de 1985.

Pontos problemáticos e legado

O Chevette também apresentou problemas em algumas unidades, principalmente nas mais antigas. Entre eles estavam o volante descentrado para a esquerda e infiltrações de água causadas por borrachas ressecadas ou fragilidade estrutural.

Um exemplar de 1975 citado na história foi restaurado 25 anos atrás por Adalberto de Andrade, membro do Chevette Clube do Brasil. O carro havia sido comprado zero-quilômetro pelo padrinho dele e permanecia na família.

Entre 1973 e 1993, mais de 1,6 milhão de Chevettes foram vendidos no Brasil. Versões para exportação continuaram sendo produzidas até 1995. O país teve o melhor desempenho mundial de vendas de um modelo baseado na plataforma “T”. Nos Estados Unidos, o carro não teve o mesmo resultado e trazia no manual a orientação “Not safe for highway use”, ou “Não é seguro para rodar na estrada”.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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