O Ford Del Rey chegou ao mercado brasileiro com a proposta de oferecer acabamento sofisticado e equipamentos de luxo em um carro menor, sem repetir o consumo elevado associado aos automóveis grandes. Derivado diretamente do Corcel II, o modelo foi apresentado como uma alternativa para quem buscava conforto, tamanho mais contido e economia de combustível.
O lançamento foi publicado originalmente na edição 199 da Autoesporte, em junho de 1981. Naquele período, vidros elétricos, travas automáticas e recursos de segurança ainda eram pouco comuns entre carros pequenos e econômicos.
Desenho e versões
O Del Rey tinha carroceria de três volumes, com dianteira, habitáculo e porta-malas bem definidos. A traseira e a ligação com a área dos passageiros eram os pontos de maior destaque no desenho. A versão de quatro portas também tinha uma opção de duas portas, com frisos e partes cromadas combinados a elementos pretos.
A dianteira recebeu nova grade e mudanças nos frisos, mas manteve os mesmos faróis do Corcel II. O projeto envolveu investimentos divulgados pela Ford de cerca de 100 milhões de dólares. Durante os testes de rodagem, o carro recebeu elogios e despertou promessas de compra. O preço seria decisivo para medir a aceitação do modelo.
Conforto e equipamentos
A versão testada era a Del Rey Ouro, a mais luxuosa da linha. Entre os recursos estavam o sistema de bloqueio automático das portas, o travamento das portas traseiras para impedir a abertura interna por crianças e os vidros elétricos, acionados individualmente ou pelo motorista.
O comando múltiplo dos vidros podia ser bloqueado pelo motorista. O modelo também oferecia controle remoto do retrovisor externo, relógio digital com calendário e cronômetro, luzes individuais de leitura e painel com mudanças de cor na iluminação.
O painel reunia voltímetro, termômetro de água, velocímetro, odômetro, conta-giros, manômetro de óleo e indicador de combustível. Havia ainda uma luz para avisar quando alguma porta não estivesse totalmente fechada. Os cintos eram retráteis, de três pontos e com sistema de alívio de pressão.
No console central ficavam os comandos de ventilação ou ar-condicionado, o rádio AM/FM com toca-fitas, o cinzeiro com isqueiro e um porta-fitas.
Mudanças mecânicas
As alterações nas suspensões dianteira e traseira melhoraram o comportamento do Del Rey em relação ao Corcel II, embora não eliminassem completamente as oscilações laterais em curvas. A bitola dianteira ficou 6 mm mais larga, enquanto a traseira foi reduzida em 16 mm. Pneus radiais metálicos de perfil baixo, da série 70, também contribuíram para a dirigibilidade.
A nova carburação, o coletor de admissão atualizado e a nova relação do diferencial deram ao carro um equilíbrio entre desempenho e gasto de combustível considerado moderado para o nível de luxo oferecido.
A Ford pretendia produzir 25 mil unidades do Del Rey ainda naquele ano. A avaliação era de que o modelo poderia disputar espaço principalmente com o Opala ou com o próprio Corcel II, já que Fiat e Volkswagen eram consideradas concorrentes menos prováveis nesse confronto.







