São Bernardo do Campo, Segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Brasil

Número de fumantes cai entre pessoas de 45 a 54 anos, mas vapes preocupam

Pesquisa do Ministério da Saúde mostra queda do tabagismo nessa faixa etária e aponta aumento no percentual geral de fumantes entre 2021 e 2024.

Número de fumantes cai entre pessoas de 45 a 54 anos, mas vapes preocupam

Parar de fumar continua sendo um desafio, mas os dados do Ministério da Saúde mostram uma redução importante do tabagismo entre pessoas de 45 a 54 anos. Entre 2006 e 2024, o percentual de fumantes nessa faixa etária caiu de 22,8% para 12,4%, segundo o Vigitel.

A mudança aparece ao mesmo tempo em que pessoas de meia-idade e idosos procuram mais os serviços de saúde para tentar abandonar o cigarro. É o que observa Keilla Mello, médica de família e comunidade que atende na Unidade de Saúde da Família Dr. Guilherme José Robalinho, no bairro do Pina, na Zona Sul do Recife.

Para a médica, o processo começa pela identificação dos gatilhos que aumentam a vontade de fumar. Ansiedade, estresse, café e bebida alcoólica estão entre as situações que podem levar ao consumo. Com acompanhamento profissional, o fumante pode criar estratégias para lidar com esses momentos sem recorrer ao cigarro.

A experiência de quem parou

O empresário Antônio Cardoso, hoje com 58 anos, fumava desde os 16. Em 2022, decidiu abandonar um hábito que o acompanhava havia quase quatro décadas. Ele afirma estar há quatro anos sem fumar.

Antes da decisão definitiva, Antônio já tinha tentado parar. Em uma dessas tentativas, ficou cerca de dois anos sem colocar um cigarro na boca, mas voltou a fumar depois de consumir apenas um. Para ele, a dependência envolve aspectos químicos, físicos e psicológicos.

A nicotina é a principal substância responsável pela dependência. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), depois de inalada, ela é absorvida rapidamente pelo organismo e chega a diferentes órgãos, incluindo o cérebro.

Antônio chegou a consumir até duas carteiras por dia. Depois de parar, uma das mudanças que mais percebeu foi deixar de conviver com o cheiro do cigarro. “Recaídas podem acontecer, mas não significam que seja preciso desistir”, afirma.

Tabagismo ainda preocupa

Apesar da queda observada em algumas faixas etárias, o percentual geral de fumantes nas capitais brasileiras e no Distrito Federal passou de 9,0%, em 2021, para 11,5%, em 2024. O Ministério da Saúde considera a tendência recente estável, levando em conta as margens de variação da pesquisa.

O uso de cigarros eletrônicos também é acompanhado com preocupação. A proporção de adultos que disseram usar esses dispositivos diariamente ou ocasionalmente oscilou de 2,3%, em 2019, para 2,4%, em 2024. Entre jovens de 18 a 24 anos, 24,8% já tinham experimentado o cigarro eletrônico.

Keilla Mello afirma que os vapes não são uma opção segura para quem quer parar de fumar. Esses dispositivos podem ter altas concentrações de nicotina, mantendo ou aumentando a dependência, além de expor o organismo a substâncias tóxicas.

De acordo com o Inca, o tabagismo está relacionado a cerca de 90% das mortes por câncer de pulmão e também está associado a outros tipos de câncer, tuberculose, úlceras gastrointestinais, impotência sexual e infertilidade.

Falta de ar intensa, dor no peito, tosse persistente, sangue no escarro, rouquidão prolongada e perda de peso sem explicação são sinais que precisam ser investigados. A orientação é procurar atendimento médico.

Em Pernambuco, o Sistema Único de Saúde oferece tratamento gratuito e integral para quem deseja parar de fumar. No Recife, 66 unidades de saúde disponibilizam o Programa Municipal de Controle do Tabagismo. O atendimento inclui abordagem cognitivo-comportamental e, quando indicado, medicamentos.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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