São Bernardo do Campo, Segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Brasil

Menopausa precoce é associada a mudanças cognitivas e cerebrais mais rápidas

Estudo acompanhou mulheres por até 18 anos e relacionou a menopausa mais cedo a maior declínio mental e alterações na substância branca.

Menopausa precoce é associada a mudanças cognitivas e cerebrais mais rápidas

A idade em que a mulher entra na menopausa pode estar relacionada à velocidade do envelhecimento cognitivo e a mudanças na estrutura do cérebro. É o que indica um estudo publicado na revista científica JAMA Network Open, que acompanhou 2.603 mulheres mais velhas por até 18 anos.

As participantes faziam parte do Religious Orders Study e do Rush Memory and Aging Project. Durante o acompanhamento, foram aplicados testes anuais de memória e raciocínio. Profissionais de saúde também registraram a ocorrência de diagnósticos da doença de Alzheimer.

As mulheres que passaram pela menopausa mais cedo tiveram uma queda mais acelerada na função mental geral, principalmente na memória episódica — a capacidade de lembrar acontecimentos e experiências pessoais. Elas também receberam o diagnóstico de Alzheimer em idade média mais jovem.

A diferença foi estimada em relação ao tempo de menopausa: entrar nessa fase 10 anos antes correspondeu a cerca de 1,8 ano a menos sem a doença de Alzheimer até a idade média do diagnóstico.

O que mudou nos exames cerebrais

Além dos testes cognitivos, 774 mulheres fizeram exames repetidos de ressonância magnética de alta resolução. Outras 1.287 participantes que morreram durante o estudo doaram o cérebro para a análise dos tecidos.

Os exames indicaram que a menopausa natural precoce estava associada a um acúmulo mais rápido de hiperintensidades da substância branca. Essas manchas aparecem nas imagens e sinalizam alterações estruturais ou desgaste nas vias de substância branca do cérebro.

Em 10 anos, mulheres que haviam entrado na menopausa natural cinco anos antes apresentaram um volume de hiperintensidades da substância branca cerca de 15% maior que o de mulheres com características semelhantes, mas que chegaram à menopausa mais tarde.

O papel dos hormônios

A menopausa interrompe a produção de estrogênio, hormônio ovariano ligado à manutenção da saúde e do funcionamento cerebral, ao metabolismo energético e ao controle da inflamação. Com a perda desse efeito, o envelhecimento cognitivo pode seguir uma trajetória menos saudável.

O estudo também apontou que o acúmulo mais acelerado de alterações na substância branca ocorreu entre mulheres cujos hormônios diminuíram gradualmente por causa da menopausa natural. O mesmo padrão não foi observado quando a queda hormonal ocorreu de forma abrupta após cirurgia.

Os resultados indicam que a menopausa pode ser um período relevante para o acompanhamento da saúde cognitiva, com possibilidade de avaliação e planos de tratamento personalizados para mulheres sob risco de doenças neurodegenerativas.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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