João Lucas Castor Nemezio Sales, de 11 anos, e Marcela Vitória de Lima, de 19, receberam próteses durante o tratamento de reabilitação após incidentes com tubarões em Pernambuco. Os dois tiveram membros amputados enquanto mergulhavam em praias do estado.
João foi atacado na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife. Marcela foi mordida na Praia de Boa Viagem, na Zona Sul da capital pernambucana. A evolução dos tratamentos foi divulgada pela clínica Ortopedia Boa Viagem, localizada no bairro da Boa Vista, no Centro do Recife, que também publicou vídeos das sessões de fisioterapia.
Como funciona a reabilitação
O fisioterapeuta Tiago Bessa, que acompanhou o atendimento dos dois pacientes, explicou que o processo é adaptado para cada pessoa. A primeira etapa envolve o controle da dor, inclusive no chamado membro fantasma, região relacionada ao membro que foi amputado.
Depois, a equipe trabalha o fortalecimento do membro residual, conhecido como coto de amputação, para ajudar o corpo a drenar o edema. Também são feitos exercícios de mobilidade das articulações, ganho de força muscular e melhora do equilíbrio.
A avaliação inicial define quais modelos podem ser indicados para cada paciente, incluindo tipos de joelhos e encaixes. De acordo com Bessa, o encaixe é uma parte importante da prótese porque conecta o corpo à estrutura e precisa permitir a colocação de carga com conforto.
Após a confecção da prótese, os pacientes começam exercícios de transferência de peso. A evolução depende da tolerância de cada um, já que a adaptação exige esforço físico e mental. As metas são estabelecidas de forma individual, inclusive para definir quando a pessoa poderá caminhar sem muletas.
“Todo o processo, a gente procura respeitar o tempo de cada paciente”, afirmou Bessa. Nos casos que envolvem experiências traumáticas, o cuidado precisa ser reforçado, segundo o fisioterapeuta.
Os incidentes
Em 31 de maio, João foi mordido por um tubarão-cabeça-chata na Praia de Piedade e teve a perna esquerda amputada. Em 1° de junho, Marcela foi atacada por um tubarão-tigre na Praia de Boa Viagem e teve a perna direita amputada pelo próprio animal.
Com os dois episódios, Pernambuco passou a contabilizar 84 incidentes com tubarões desde 1992. Os dados são reunidos pelo Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit).








