CIDADE REAL, ESPANHA — A terceira geração do Jeep Compass cresceu, ganhou mais espaço para passageiros e ampliou o porta-malas. O modelo também terá versões híbridas e elétricas na Europa, enquanto a configuração destinada ao Brasil ainda está em definição.
A nova geração não tem relação com o Compass vendido atualmente no país. O modelo será produzido na fábrica de Goiana (PE) a partir de 2028 e terá papel importante no plano de investimentos de R$ 32 bilhões da Stellantis para a América do Sul até o fim da década.
Mais espaço na cabine
Em comparação com o Compass atual, o novo SUV ficou 15 centímetros mais comprido, chegando a 4,55 metros. A largura aumentou 8,5 cm, para 1,93 m, e o entre-eixos passou a medir 2,80 m, um crescimento de 16 cm.
Segundo a Jeep, o espaço para as pernas na segunda fileira aumentou 5,5 cm. Na prática, há mais espaço para as pernas, a cabeça e os ombros dos passageiros.
As baterias instaladas sob o assoalho, porém, deixam o piso mais alto. Para preservar o espaço para a cabeça, o banco traseiro fica em uma posição mais baixa. Com isso, pessoas mais altas podem ficar com os joelhos elevados e as pernas mais dobradas.
O banco traseiro pode ser rebatido na proporção 40/20/40. A parte central pode ser baixada sozinha para transportar objetos compridos sem retirar os dois lugares laterais. A cabine também tem apoio de braço central com dois porta-copos, duas entradas USB tipo C, saídas de ar-condicionado e portas com materiais macios.
Porta-malas maior e cabine renovada
O porta-malas passou de 410 litros, na geração atual, para 550 litros no novo Compass. A tampa tem abertura automática por meio da chave e há iluminação de LED nas duas laterais internas.
O acabamento manteve o padrão conhecido da Jeep, com evolução nos materiais do painel e das portas dianteiras. Dependendo da versão, os revestimentos podem ser de couro, alcantara ou tecido.
O painel combina um quadro de instrumentos digital de 10,25” com uma central multimídia de 16”. No console central, um seletor giratório substitui a alavanca de câmbio tradicional e libera espaço para o carregador de celular por indução.
Todos os Compass novos vendidos na Europa têm os modos Sport, Auto, Neve e Areia/Lama. Eles alteram as respostas da direção, do acelerador e dos controles de estabilidade e tração.
Versões oferecidas na Europa
O Compass europeu terá duas configurações híbridas leves, com sistema MHEV de 48 Volts. O conjunto usa motor 1.2 PureTech turbo de três cilindros, com 136 cv, combinado a um motor elétrico de 28 cv. A potência combinada é de 145 cv, com 23,4 kgfm de torque, e a bateria tem 0,9 kWh.
Também haverá três opções elétricas. A Standard Range terá 213 cv, 35,2 kgfm e bateria de 74 kWh, com autonomia de até 500 km no ciclo WLTP. A Long Range terá 231 cv, os mesmos 35,2 kgfm e bateria de 96 kWh, com alcance de até 650 km no ciclo WLTP. As duas terão tração dianteira.
A versão 4xe Full Electric terá 375 cv, dois motores elétricos, tração integral e bateria de 96 kWh. A autonomia poderá chegar a 600 km no ciclo WLTP. Haverá ainda duas versões de 375 cv com pacotes diferentes.
Os preços europeus partem de 43.200 euros, equivalentes a R$ 257.472, na versão Altitude e-Hybrid MHEV. A First Edition e-Hybrid MHEV custa 46.700 euros ou R$ 278.332. A Standard Range sai por 50.600 euros, ou R$ 301.576, e a Long Range, por 53.850 euros, ou R$ 320.946.
As versões 4xe Full Electric Upland e Overland custam, respectivamente, 56.850 euros, equivalentes a R$ 338.826, e 60.350 euros, ou R$ 359.686.
Motorização brasileira ainda não está fechada
O Compass T270 2026 registra consumo de 7,3 km/l na cidade e 8,6 km/l na estrada com etanol, segundo o Inmetro. Com gasolina, os números são de 10,1 km/l no ciclo urbano e 12,1 km/l no rodoviário.
O motor 1.2 PureTech usado na Europa não será oferecido no Brasil. Um dos destaques esperados para o mercado nacional é o sistema híbrido pleno BioHybrid, que deverá usar o motor 1.3 turbo T70 em uma configuração flex.
No Cherokee vendido nos Estados Unidos, o conjunto combina motor 1.6 turbo de 180 cv e 30,6 kgfm com dois motores elétricos. A potência total chega a 213 cv e o torque combinado, a 31,8 kgfm. Para o Compass brasileiro, a potência deve ficar acima de 200 cv.
No Cherokee, o consumo chega a 17,9 km/l com gasolina, e a autonomia pode alcançar 930 km na cidade com tanque de 52 litros. Versões elétricas ainda não têm definição para o Brasil.
A Stellantis destinou R$ 13 bilhões do investimento previsto para a América do Sul ao Polo Automotivo de Goiana (PE). A unidade deverá produzir seis novos modelos híbridos. A fábrica tem flexibilidade técnica para trabalhar com mais de uma plataforma, o que abre espaço para a arquitetura STLA Medium e para a nova geração do Compass.
Ainda existe a possibilidade de o modelo nacional manter a base Small Wide, com mudanças profundas no visual, no interior e nas motorizações. Por isso, o ganho de espaço e de porta-malas já está definido para a nova geração, mas o resultado no consumo dependerá da configuração escolhida para o Brasil.







