PAULISTA — Três trechos da Praia do Janga, em Paulista, na Região Metropolitana do Recife, estão impróprios para banho até quinta-feira (10), conforme o boletim mais recente da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH). A classificação considera a qualidade da água e serve para orientar os banhistas sobre áreas que podem oferecer riscos à saúde.
O alerta ganhou força depois que crianças passaram mal, com vômito e diarreia, após entrarem no mar no último sábado (5). Moradores também questionam a presença de uma água escura nas proximidades da praia.
Nereide Diniz, corretora que mora no Janga há 13 anos, afirmou que a região enfrenta problemas de infraestrutura e falta de assistência do poder público. “Infelizmente, estamos abandonados. Temos aqui um canal, as águas poluídas com fezes e a questão do esgoto aqui é direto”, disse.
Tawan Batista, morador da área há dois anos, relatou que a poluição e o acúmulo de lixo dificultam o uso da praia. Ele afirmou que raramente entra na água por causa do risco de ficar doente.
Orientação para os banhistas
A CPRH realiza análises periódicas e divulga os resultados semanalmente. A agência recomenda que a população evite o contato com a água nos pontos classificados como impróprios. A restrição se refere à água do mar e não à faixa de areia.
José de Anchieta dos Santos, diretor-presidente da CPRH, afirmou que a avaliação é feita semanalmente, conforme a legislação ambiental e as normas do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). “Não há proibição de frequentar a praia, mas recomendamos apenas que o banho não é recomendado por conta da qualidade da água”, declarou.
Pernambuco tem 27 pontos balneários monitorados pela agência ambiental. No boletim mais recente, 14 foram classificados como impróprios para banho, incluindo os três trechos do Janga. Os resultados ficam disponíveis no portal da CPRH.
Regras para o calçadão
O aposentado Vandoci Dantas de Lima, morador do Janga há 50 anos, citou a Lei Estadual nº 12.321, de 2003, que estabelece normas para o uso da orla marítima de Pernambuco. Segundo ele, a falta de aplicação das regras prejudica a organização e a circulação no calçadão.
A legislação prevê normas para bicicletas, patins, skates, animais e outros usos da orla. Também determina que tutores recolham imediatamente as fezes dos animais. A fiscalização deve ser feita pelos órgãos competentes das prefeituras, com apoio da Polícia Militar de Pernambuco.
A prefeitura de Paulista informou que acompanha as condições de balneabilidade e orienta a população a seguir as recomendações dos órgãos competentes. Também afirmou que realiza ações de limpeza, ordenamento, fiscalização e preservação ambiental dentro de suas competências.
Sobre a estrutura da orla, a gestão informou ter um projeto protocolado junto ao governo do estado para requalificar e ampliar a urbanização de um trecho de cerca de 3,5 quilômetros. A proposta inclui recuperação do trecho existente, passeios acessíveis, áreas para atividades físicas e recreativas, playgrounds e ciclovia ou ciclofaixa onde houver viabilidade técnica. A execução depende da liberação de recursos estaduais.








