Os rebeldes houthis assumiram nesta sexta-feira (11) o controle de toda a costa do Iêmen no Mar Vermelho e de ilhas no Estreito de Bab el-Mandeb, uma rota marítima que liga a Ásia à Europa. O grupo afirmou que a navegação continuará segura para as companhias, com exceção das embarcações da Arábia Saudita.
O avanço ocorreu depois de uma ofensiva iniciada na semana passada. Na quinta-feira, os houthis tomaram a cidade portuária de Moca, localizada a 70 km ao norte do estreito. Nesta sexta, conquistaram Perim, também chamada de ilha de Mayyun, além de Hanish Maior e Hanish Menor, segundo fontes do governo iemenita.
“Tudo o que estava sob nosso controle na costa ocidental caiu”, informou um encarregado militar do governo iemenita, reconhecido internacionalmente e apoiado por Riade. Uma testemunha relatou ter visto homens armados em veículos militares ao longo da costa de Bab el-Mandeb.
Impacto sobre a navegação
Petroleiros e navios mercantes que saem da Ásia passam pelo estreito para alcançar o Mar Vermelho, o Canal de Suez e o Mediterrâneo. No sentido contrário, a rota é usada para chegar ao oceano Índico.
Um bloqueio obrigaria as embarcações a contornar a África pelo cabo da Boa Esperança, alternativa descrita como muito mais cara. Nesta sexta-feira, o barril de Brent, referência internacional, voltou a ser negociado acima de 100 dólares.
Yahya Saree, porta-voz militar dos houthis, declarou: “A navegação é segura para todas as companhias, com exceção dos navios sauditas, que já têm o acesso proibido”. O controle do estreito pressiona a Arábia Saudita, que também enfrenta o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã, no outro extremo da Península Arábica.
As águas do sul do Mar Vermelho têm quatro ilhas: Zuqar, tomada pelos houthis na quinta-feira, Perim e as duas ilhas Hanish.
Pressão sobre a Arábia Saudita
Os houthis também fizeram uma ofensiva contra a Arábia Saudita nesta semana. Na quarta-feira, dispararam vários mísseis balísticos e drones contra cidades do sul do reino. Uma imagem do programa europeu Copernicus mostrou uma coluna de fumaça preta no deserto da região atacada.
O avanço houthi foi classificado por Tarek Saleh, comandante das forças que controlam Moca, como uma ofensiva planejada e apoiada pelo Irã. Um assessor do líder supremo iraniano Mojtaba Khamenei chamou o avanço de vitória contundente.
A Arábia Saudita aumentou as exportações de petróleo a partir do porto de Yanbu, no Mar Vermelho. Segundo informações atribuídas a altos funcionários americanos, o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ordenasse ataques contra os houthis. Trump teria negado o pedido, feito duas vezes na quinta-feira. O governo americano continuaria fornecendo informações de inteligência a Riade, mas não consideraria uma intervenção militar direta.
A situação no Iêmen foi discutida em uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU. O enviado especial das Nações Unidas para o país, Hans Grundberg, pediu uma atuação ativa do órgão. A Organização Internacional para as Migrações informou que pelo menos 46.000 pessoas foram deslocadas desde a retomada da intensificação dos combates no sudoeste do país.








