Os rebeldes houthis do Iêmen atacaram alvos no sudoeste da Arábia Saudita e deixaram 73 pessoas feridas, segundo informações dos dois lados nesta terça-feira (8). Entre os locais atingidos estão instalações da petrolífera Aramco, o aeroporto internacional de Abha e a base aérea Rei Khalid.
O porta-voz dos houthis, Yahya Saree, reivindicou os ataques. Segundo ele, foram usados drones e mísseis em uma operação lançada em resposta a 121 bombardeios sauditas contra o Iêmen nos últimos três dias. Saree afirmou que a ofensiva contou com dezenas de mísseis balísticos e drones.
A coalizão militar liderada pela Arábia Saudita informou que os bombardeios atingiram locais civis e econômicos e deixaram 73 civis feridos. O grupo disse que adotará as medidas necessárias para responder à ameaça e neutralizar o perigo.
A ofensiva ocorre em meio à retomada dos combates no Iêmen, depois de mais de quatro anos de trégua entre os houthis e o governo iemenita, apoiado pela Arábia Saudita. Os rebeldes lançaram uma nova operação na semana passada com o objetivo de avançar em direção às áreas próximas do Estreito de Bab al-Mandeb, no Mar Vermelho.
Mais de 500 pessoas morreram desde o início dessa ofensiva, conforme contagem baseada em informações de fontes dos dois lados. O total inclui pelo menos 216 soldados do governo, 278 combatentes houthis e 29 civis.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou os ataques. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que “a mão iraniana” está por trás das ações dos houthis. O movimento rebelde é apoiado pelo Irã.
Impacto regional
Os houthis também acusaram a Arábia Saudita de bombardear várias áreas do Iêmen. Segundo a agência Saba, ligada ao movimento, mísseis e aviões sauditas atingiram as províncias de Jawf, Al Bayda, Marib e Taiz. Na prisão de Al Hazm, em Jawf, 11 pessoas morreram, incluindo uma criança que visitava um parente.
O Estreito de Bab al-Mandeb liga a Ásia à Europa pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez. Os ataques afetaram as exportações de petróleo da Arábia Saudita, e o preço do produto se aproxima de US$ 100 por barril.
Quase 20.000 pessoas deixaram suas casas por causa da escalada, de acordo com a Organização Internacional para as Migrações. O Iêmen vive uma guerra civil desde 2014, quando os houthis avançaram a partir de Saada e tomaram grandes áreas do país, incluindo a capital, Saná.








