São Bernardo do Campo, Segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Brasil

Caso Cerimedo envolve governo boliviano e redes políticas da direita regional

Assessor ligado ao presidente da Bolívia é investigado por tentativa de feminicídio, corrupção, lavagem de dinheiro e narcotráfico.

Caso Cerimedo envolve governo boliviano e redes políticas da direita regional

O argentino Fernando Cerimedo, que assessorava o presidente boliviano Rodrigo Paz, está no centro de investigações que envolvem um atentado contra sua companheira, suspeitas de corrupção no governo da Bolívia, lavagem de dinheiro e possível proteção ao narcotráfico. O caso também alcança sua atuação política em outros países da América Latina, incluindo o Brasil.

Cerimedo foi detido em 18 de agosto, em Santa Cruz. Na véspera, a advogada boliviana Nadia Beller, que afirma estar grávida, foi baleada por pistoleiros disfarçados de entregadores de comida. Ela sobreviveu a três tiros e acusou o companheiro de planejar o ataque para impedir que revelasse informações sobre suas relações com integrantes do poder.

Investigações na Bolívia

Cerimedo é investigado por tentativa de feminicídio e teve a prisão decretada por seis meses. Seus advogados afirmam que ele é inocente e dizem não existir prova que o ligue ao atentado. O Ministério Público apontou mensagens encontradas no celular do argentino como parte dos elementos usados para pedir a prisão.

Em uma conversa, uma pessoa teria avisado Cerimedo sobre os disparos. Outra mensagem arquivada dizia: “Ou a eliminamos já ou estamos ferrados. Você conhece alguém que possa fazer o trabalho?”. Beller afirmou, em entrevista a uma emissora, que temia ser morta caso não falasse publicamente.

Em um imóvel de Cerimedo em La Paz, um promotor encontrou 43.000 dólares em espécie, valor informado como equivalente a R$ 219.183. A partir disso, foi aberta uma investigação por enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro. Ele recebeu uma segunda prisão preventiva e foi transferido de Santa Cruz para La Paz.

Beller também o acusou de facilitar a liberação de aviões de pequeno porte apreendidos. Por causa dessa denúncia, Cerimedo passou a responder a outro processo por suposta proteção ao narcotráfico.

Relações com o governo e outros países

A advogada declarou ter testemunhado possíveis atos de corrupção envolvendo o governo de Paz, a esposa dele e a família política do presidente. As acusações envolvem a gestão estatal de combustíveis e contratos públicos de seguros, com Cerimedo apontado como operador.

Paz reconheceu que Cerimedo ajudou em sua campanha e no começo do governo, mas negou uma relação profissional direta. Beller publicou fotos e mensagens para contestar essa versão. Em uma das imagens, Cerimedo aparece ao lado de Paz e do chanceler boliviano em uma reunião oficial com Marco Rubio, secretário de Estado americano.

Antes de atuar na Bolívia, Cerimedo participou das campanhas de Jair Bolsonaro, no Brasil, Javier Milei, na Argentina, e Nasry Asfura, em Honduras. No Brasil, foi investigado por suposta participação em uma milícia digital que contestava a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2022.

Promotores bolivianos também encontraram na residência dele dispositivos que aparentavam formar uma fazenda de bots para operar contas anônimas em redes sociais. No Chile, há uma investigação por supostos crimes informáticos ligados à campanha do plebiscito constitucional de 2020. No México, Claudia Sheinbaum afirmou que o jornal conservador fundado por Cerimedo seria um esquema para difundir notícias falsas. No Peru, ele esteve durante a posse de Keiko Fujimori, em julho, mas ela negou qualquer vínculo.

Para Marcela Ríos, diretora regional da IDEA Internacional, o caso mostra que as redes de grupos de extrema direita têm conexões entre diferentes países.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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