São Bernardo do Campo, Segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Finanças

Flávio Bolsonaro foi corrigido ao menos 6 vezes durante entrevista sobre sua candidatura

Em 40 minutos, o candidato foi confrontado com informações sobre golpe de Estado, urnas, clima, tarifas, filme e Adriano da Nóbrega.

Jornal Nacional: Flávio Bolsonaro mentiu e foi “corrigido” por Tralli e Renata Vasconcellos ao menos 6 vezes
Foto: Manoella Mello/Divulgação TV Globo

Durante uma sabatina, Flávio Bolsonaro apresentou declarações sobre os principais assuntos ligados à sua candidatura à Presidência. Ao ser confrontado com fatos relacionados à tentativa de golpe de Estado, às urnas eletrônicas, às mudanças climáticas, ao financiamento de um filme, ao tarifaço e a Adriano da Nóbrega, porém, o candidato foi corrigido ao menos seis vezes. Em uma dessas situações, ele admitiu ter “falado errado”.

Flávio Bolsonaro (PL) entrou no estúdio na noite de sexta-feira (28) preparado para expor sua versão sobre os temas que envolvem sua candidatura. Ao longo de 40 minutos de conversa com César Tralli e Renata Vasconcellos, no entanto, precisou responder a informações que contrariavam declarações feitas por ele em ao menos seis momentos.

A íntegra da entrevista foi analisada a partir dos vídeos e da transcrição. O cruzamento entre os trechos falados e o conteúdo audiovisual aponta ao menos seis ocasiões em que Tralli ou Renata corrigiram, questionaram ou apresentaram informações que entravam em choque direto com afirmações de Flávio.

O levantamento considera “correção” não apenas os casos em que os entrevistadores dizem literalmente “isso não é verdade”. Também entram na conta os momentos em que são exibidos documentos, dados, informações oficiais ou evidências científicas capazes de contradizer uma declaração factual do candidato.

Os momentos em que Flávio Bolsonaro foi contestado

1. A tentativa de golpe não foi uma “farsa”

Um dos episódios mais fortes ocorreu quando Flávio tentou desqualificar as investigações sobre a tentativa de golpe de Estado durante o governo de Jair Bolsonaro.

O candidato classificou o processo como uma “grande farsa” e disse que havia sido criada uma “montagem” para levar seu pai e outros envolvidos à condenação.

Tralli respondeu apresentando os elementos reunidos pela investigação da Polícia Federal. Entre eles estava o documento encontrado na casa do coronel Mauro Cid, que descrevia o plano para matar o presidente Lula, o vice Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes.

A questão, portanto, não envolvia apenas opiniões políticas divergentes. Havia um documento apreendido pela PF e incluído na investigação, além de depoimentos e outros elementos usados para embasar as condenações.

Mesmo diante das provas aceitas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio continuou defendendo que tudo era uma armação. O tribunal condenou Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar a organização criminosa que tentou dar um golpe de Estado.

2. “A empresa venezuelana não fabricou as urnas”: o próprio candidato reconheceu o erro

Esse foi o episódio mais direto da entrevista. Renata lembrou que Flávio havia dito que as urnas eletrônicas brasileiras eram produzidas por uma empresa venezuelana. A informação já havia sido negada pelo Tribunal Superior Eleitoral.

A jornalista colocou a declaração anterior diante do candidato e perguntou sobre o que ele havia afirmado. Flávio voltou atrás: “Falei errado, ela não fabricou as urnas”.

Nesse caso, não foi preciso interpretar a resposta. O próprio candidato reconheceu que havia mentido.

3. Aquecimento global: “saneamento básico” para escapar da questão

Outro momento marcante aconteceu quando Renata perguntou qual era a posição de Flávio sobre as mudanças climáticas. A questão era saber por que o tema não aparecia de maneira mais clara em seu plano de governo, diante das evidências científicas sobre o aquecimento global.

Em vez de responder objetivamente se reconhecia a existência do aquecimento global e a participação humana nesse processo, Flávio levou a resposta para temas como saneamento básico, esgoto, lixões e eventos climáticos extremos. Renata retomou a pergunta:

“Então, deixa eu só entender, então, o senhor acha que não tem aquecimento global? Não existe?”

Depois que Flávio falou sobre ciclos climáticos, a jornalista voltou a confrontá-lo: “Isso não é negar as evidências científicas, candidato?”

Nesse ponto, não se tratava de duas opiniões equivalentes. A existência do aquecimento global e a influência humana sobre o clima são questões científicas sustentadas por evidências acumuladas.

4. A carta a Trump e o tarifaço

O quarto episódio foi relacionado ao tarifaço aplicado pelo governo de Donald Trump contra o Brasil. Flávio tentou apresentar sua atuação nos Estados Unidos como uma iniciativa voltada a suspender as tarifas e proteger empresas brasileiras.

Renata, porém, usou o documento apresentado pelo próprio candidato para mostrar uma diferença essencial. A carta não solicitava o encerramento da investigação nem o cancelamento imediato da medida. O pedido era para adiar sua implementação.

A jornalista foi clara: “Na carta (…) não se pede (…) que se encerre a investigação. Pede-se adiar a implementação da medida”. Ela também afirmou que a investigação citada no documento já havia sido concluída.

Flávio tentou manter sua interpretação, mas o conteúdo da carta mostrado por Renata contrariava a descrição que ele havia feito sobre sua própria atuação.

5. A prestação de contas do filme “Dark Horse”

A primeira parte mais extensa da entrevista tratou da relação de Flávio com Daniel Vorcaro e do financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.

Flávio afirmou que a prestação de contas do projeto havia sido realizada e que os dados estavam disponíveis ao público.

Tralli apresentou outra informação: o perito contratado para examinar os dados não teve acesso ao fundo americano e não conseguiu esclarecer totalmente a origem e o destino dos recursos.

Assim, a questão não era apenas verificar se existia algum documento publicado. O ponto era saber se os documentos disponíveis bastavam para explicar a origem e o percurso dos R$ 61 milhões ligados ao financiamento.

A discussão ocorreu no momento em que Flávio tentava encerrar o assunto como se a prestação de contas já estivesse completamente esclarecida. O candidato também se recusou a entregar o suposto “contrato” com Daniel Vorcaro, que havia prometido apresentar no dia 19 de maio.

6. Adriano da Nóbrega já era alvo de acusações quando recebeu homenagem

O sexto episódio envolveu Adriano da Nóbrega, apontado como líder do Escritório do Crime, braço de extermínio da milícia de Rio das Pedras. Ele foi morto em 2020.

Ao ser questionado sobre a homenagem concedida a Adriano, Flávio afirmou que, naquele momento, ele era considerado um policial de destaque e que “não tinha feito absolutamente nada de errado”.

Renata contrapôs essa versão com a informação de que Adriano já estava preso por homicídio e enfrentava acusações graves naquela época.

Esse ponto é relevante porque a defesa de Flávio depende da tese de que as acusações contra Adriano só teriam surgido depois da homenagem. A intervenção da jornalista contestou essa sequência dos acontecimentos. Renata também lembrou que parentes do miliciano foram contratados para cargos comissionados no gabinete de Flávio Bolsonaro, quando ele era deputado estadual no Rio de Janeiro.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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