SALVADOR — A baixa visão na infância pode afetar o desenvolvimento motor, cognitivo, a comunicação, a aprendizagem e a participação da criança nas atividades do dia a dia. Por isso, a oftalmologista Maria de Fátima Neri defende que a avaliação e a intervenção sejam feitas o mais cedo possível.
O alerta foi dado durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO 2026), que termina neste sábado (12), em Salvador. Segundo a médica, baixa visão não significa apenas ter uma redução na acuidade visual. É preciso observar como a criança usa o resíduo visual que possui e quais tarefas consegue realizar.
“A baixa visão pode comprometer a percepção visual, a exploração do ambiente, o desenvolvimento motor, a aprendizagem, a comunicação, a autonomia e a participação dessa criança no mundo”, afirmou Maria de Fátima.
O que deve ser observado
Entre as causas citadas pela oftalmologista estão retinopatias provocadas por infecções por sífilis, toxoplasmose e citomegalovírus; catarata congênita; glaucoma congênito; anomalias do nervo óptico; distrofias hereditárias da retina; alta miopia; doenças neurológicas; e deficiência visual cortical ou cerebral.
Além de medir a acuidade visual, a avaliação deve considerar situações da rotina. Com a participação dos pais, os profissionais podem verificar se a criança reconhece rostos, localiza objetos, brinca com autonomia e se comporta de forma diferente conforme a iluminação. Também é importante identificar o que ela deixou de fazer por causa da baixa visão.
Os sinais de alerta incluem não acompanhar objetos, não fixar os olhos ou manter pouca fixação, aproximar demais os objetos do rosto, esbarrar ou tropeçar com frequência e ter dificuldade em locais pouco iluminados. Fotofobia, busca intensa por luz, dificuldade para reconhecer pessoas e objetos e atraso no desenvolvimento sem causa definida também merecem atenção.
Apoio para o desenvolvimento
A habilitação pode envolver estimulação visual funcional, recursos ópticos e não ópticos, tecnologia assistiva, orientação e mobilidade, terapia ocupacional, fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, pedagogia e orientação familiar.
Para Maria de Fátima, encaminhar a criança cedo não significa cuidar apenas da visão. A medida também busca preservar o desenvolvimento, a autonomia e as possibilidades de participação da criança no futuro.








