A técnica Memory City propõe usar uma cidade criada mentalmente como referência para estudar e recuperar informações. A ideia é associar o conteúdo a lugares e acrescentar elementos sensoriais, como cores, sons, cheiros e emoções.
A metodologia foi desenvolvida pelo neurologista e professor titular Marcelo Zalli, da Universidade do Vale do Itajaí. Ela deu origem a um livro e a um curso com o mesmo nome e é apresentada como uma evolução do palácio da memória, método conhecido desde a Grécia Antiga.
Do conteúdo abstrato à experiência
No palácio da memória, informações são relacionadas a cômodos de uma casa. Na Memory City, a pessoa cria os próprios ambientes e escolhe os detalhes que vão compor cada local. Esses espaços funcionam como pontos de ancoragem para os conteúdos que precisam ser lembrados.
A técnica parte da ideia de que as pessoas costumam guardar com mais facilidade detalhes de lugares visitados do que conteúdos estudados. Ao criar um ambiente mental personalizado, o conhecimento semântico, que poderia ser armazenado apenas como informação, passa a ser relacionado a uma experiência.
Um exemplo é o estudo de biologia em uma cafeteria em Paris, perto da Torre Eiffel. O estudante pode imaginar uma música, o aroma de um croissant, pessoas passando pela rua e a temperatura do ambiente. Durante o estudo, a proposta é retomar mentalmente esse cenário a cada distração ou pausa.
Assim, o conteúdo deixa de ser associado somente a uma informação abstrata e passa a fazer parte de uma situação construída na imaginação, com diferentes referências sensoriais.
Teste com alunos de medicina
Antes de virar livro, a metodologia foi aplicada em um curso e avaliada em um experimento com alunos de medicina. Os participantes usaram a técnica ao longo de seis meses. O grupo que aplicou o método obteve notas 32% superiores às dos alunos que não o praticaram.
Esses resultados levaram à validação e à publicação da técnica. A proposta é transformar o estudo em uma atividade com imagens, narrativas e experiências mentais, em vez de depender apenas da repetição de informações.
A memória permite registrar, armazenar e recuperar dados, além de reconhecer rostos, lembrar caminhos e aprender novas habilidades. De acordo com a proposta da Memory City, imagens, associações e experiências podem ser usadas para tornar esse processo de aprendizado mais organizado e duradouro.
Marcelo Zalli é professor titular de Neurologia na Universidade do Vale do Itajaí e membro da Brazil Health. Ele tem CRM/SC 17.333 e RQE 13.326.







