Sentir ansiedade faz parte das reações humanas, mas o quadro pode ser considerado um transtorno quando se torna excessivo, persistente e limitante. Por isso, a definição do diagnóstico, conforme a Classificação Internacional de Doenças (CID), deve vir antes da escolha do tratamento, afirma o psiquiatra Luiz Carlos Souza Sampaio, presidente do Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 359 milhões de pessoas tenham ansiedade no mundo. Os sinais variam entre os indivíduos e podem incluir preocupação excessiva, medo contínuo de que algo ruim aconteça, inquietação, irritabilidade, dificuldade para relaxar e problemas de concentração e sono.
A acupuntura pode ser considerada depois dessa avaliação. A técnica utiliza pequenas agulhas em áreas do corpo chamadas meridianos, que concentram terminações de fibras musculares, nervos e tendões. O estímulo pode favorecer o relaxamento e auxiliar em situações de ansiedade e estresse.
Sampaio afirma que existem trabalhos científicos sobre possíveis benefícios da acupuntura, mas quase todos são considerados inconclusivos por causa de vieses metodológicos. Segundo ele, pesquisas apontam efeitos sobre o sistema nervoso autônomo e a liberação de neurotransmissores, como serotonina e opiáceos endógenos, ligados à modulação do humor e a uma ação calmante.
O psiquiatra Luiz Scocca, do Hospital das Clínicas da USP, e membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e da Associação Americana de Psiquiatria (APA), explica que a acupuntura é uma terapia complementar. Ela pode ser usada sozinha ou junto com medicamentos e psicoterapia quando houver indicação, mas não deve substituir tratamentos profissionais baseados em evidências científicas.
Sintomas físicos e opções de cuidado
A ansiedade também pode provocar taquicardia, palpitações, falta de ar e aperto no peito. Tremores, suor excessivo, tontura, sintomas gastrointestinais e tensão muscular generalizada, com dores no pescoço, ombros e pernas, estão entre outras possíveis manifestações.
A psicoterapia é uma opção de tratamento. A terapia cognitivo-comportamental é amplamente estudada e trabalha com objetivos atuais, além de ter menor duração. Psicanálise e psicologia analítica também podem ser utilizadas. Quando os sintomas são persistentes e intensos, o médico pode indicar medicamentos, como antidepressivos.
Há ainda medidas relacionadas ao estilo de vida. Luiz Scocca afirma que a atividade física regular é um dos pilares do bem-estar mental e da prevenção de doenças crônicas. A recomendação citada pelo psiquiatra é de, no mínimo, 150 minutos semanais.







