São Bernardo do Campo, Segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Finanças

PF quer ouvir Galípolo, Campos Neto e Esteves em investigação sobre o Banco Master

Presidente do Banco Central, ex-presidente da autarquia e controlador do BTG Pactual serão ouvidos inicialmente como testemunhas.

PF quer ouvir Galípolo, Campos Neto e Esteves em investigação sobre o Banco Master

A Polícia Federal determinou que Gabriel Galípolo, Roberto Campos Neto e André Esteves prestem depoimento no inquérito que apura suspeitas relacionadas à fiscalização do Banco Master. Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central, também deverá ser ouvido novamente.

As intimações foram determinadas em 3 de agosto. Galípolo, Campos Neto, Esteves e Ailton devem depor inicialmente como testemunhas. Os depoimentos ainda não foram realizados porque outros interrogatórios estavam previstos antes no mesmo inquérito.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, prestou depoimento em 28 de agosto. A decisão de ouvir os três executivos e reinquirir Ailton ocorreu depois que os nomes foram mencionados por Paulo Sérgio Souza, ex-chefe adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central e um dos investigados.

Suspeitas sobre servidores do Banco Central

A investigação apura se Vorcaro teria cooptado Belline Santana e Paulo Sérgio Souza, que ocupavam os cargos de chefe e chefe adjunto do Departamento de Supervisão Bancária. Os dois foram afastados das funções após serem alvos da terceira fase da Operação Compliance Zero.

A Polícia Federal investiga a suspeita de que eles tenham recebido pagamentos de propina para fornecer informações internas sobre a fiscalização do Banco Master e prestar uma assessoria informal a Vorcaro. Belline e Paulo Sérgio negam favorecimento indevido ou participação em irregularidades.

Em seu depoimento, Paulo Sérgio afirmou ter participado de duas reuniões com Galípolo sobre a situação do banco. Segundo o relato, no primeiro encontro informou que o Master já havia entrado no compulsório e que seria necessário liquidar a instituição ou buscar uma solução de mercado com o BTG Pactual.

Ele também disse que, em reunião realizada no final de junho, Galípolo teria afirmado que não faria comunicação ao Ministério Público por gestão temerária, pois havia recebido internamente a informação de que existia fraude na carteira. Paulo Sérgio declarou ainda que comunicou a Ailton a necessidade de encaminhar ao Ministério Público Federal informações sobre as suspeitas.

Relato sobre o BTG Pactual

Paulo Sérgio afirmou que, em novembro de 2024, Ailton informou que o BTG Pactual havia concluído uma due diligence no Banco Master e comunicado a descoberta de uma suposta fraude de R$ 32 bilhões.

De acordo com o ex-dirigente, a comunicação foi feita por telefone no dia 29 de novembro. Uma apresentação sobre o assunto ocorreu em 3 de dezembro de 2024, com a presença de Roberto Campos Neto. Segundo o depoimento, o BTG não entregou documentação durante a reunião.

A Polícia Federal pretende ouvir os envolvidos para esclarecer e confrontar os episódios descritos por Paulo Sérgio, incluindo as reuniões e as comunicações relacionadas à situação financeira do Banco Master. Para isso, o Banco Central foi orientado a apresentar Galípolo e Ailton na Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal, em audiências por videoconferência.

Defesa de Campos Neto questiona divulgação

A defesa de Roberto Campos Neto afirmou que ainda não recebeu a intimação e que desconhecia o despacho de 3 de agosto. Os advogados Pedro Ivo Velloso e Francisco Agosti também criticaram a divulgação antes de uma comunicação formal.

“A defesa de Roberto Campos Neto esclarece que jamais foi intimada e sequer tinha conhecimento da existência do alegado despacho de 3 de agosto”, afirmaram os advogados.

O BTG Pactual informou que não comentaria o caso. O Banco Central não respondeu aos questionamentos.

As intimações, por si só, não significam que Galípolo, Campos Neto ou Esteves sejam investigados pelas irregularidades apuradas. A previsão é que eles sejam ouvidos inicialmente como testemunhas.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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