Os oceanos atingiram níveis recordes de temperatura e já provocam impactos em atividades econômicas como pesca, turismo e geração de energia. Cientistas afirmam que o aquecimento também aumenta os riscos para comunidades costeiras e pode afetar os preços dos alimentos.
A temperatura média dos oceanos, sem incluir as regiões polares, chegou a 21,07ºC em agosto, igualando o recorde registrado em março de 2024, informou o observatório europeu Copernicus. No hemisfério norte, o verão de 2026, entre junho e agosto, foi o mais quente desde 1993, segundo o Copernicus Marine Service.
O cenário combina o fenômeno natural El Niño, cujo episódio atual é considerado especialmente intenso, com o aquecimento global provocado pela atividade humana. Para Zachary Labe, climatologista do centro de pesquisa Climate Central, a mudança climática é a tendência de longo prazo por trás das temperaturas recordes. Ele afirmou que os oceanos passaram por uma sequência de “100 dias de calor recorde” para esta época do ano.
Efeitos sobre alimentos e negócios
O calor altera a distribuição dos peixes e pode reduzir a oferta em algumas áreas. Kathryn Smith, da Associação Britânica de Biologia Marinha, afirmou que ondas de calor marítimas podem levar ao fechamento de áreas de pesca por causa de doenças, morte de espécies ou deslocamento dos peixes para águas mais frias. Segundo ela, os prejuízos podem chegar a milhões ou bilhões de dólares e afetar os preços dos alimentos.
Tom Pickerell, diretor do programa de oceanos do World Resources Institute, citou a queda das populações de sardinha em águas marroquinas mais quentes. A situação provocou a proibição das exportações e escassez no mercado europeu, de acordo com o especialista.
O aquecimento também danifica recifes de coral e praias que sustentam o turismo. Entre outros efeitos, a proliferação de águas-vivas levou recentemente à paralisação de reatores nucleares na França. A expansão térmica da água eleva o nível do mar e ameaça nações insulares vulneráveis no Pacífico e no Índico.
O fenômeno será discutido na COP31, reunião de cúpula do clima organizada pela ONU, em novembro, em Antália, sob presidência conjunta da Turquia e da Austrália. Para os cientistas, a resposta depende de acelerar as políticas contra as mudanças climáticas. Claire Bergin, da Universidade de Maynooth, na Irlanda, disse que a adaptação dos oceanos e da vida marinha continua muito limitada.







