São Bernardo do Campo, Segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Brasil

Romi-Isetta completa 70 anos como marco da indústria automotiva brasileira

Fabricado em Santa Bárbara d’Oeste a partir de 1956, compacto de uma porta abriu caminho para a produção nacional de carros.

Romi-Isetta completa 70 anos como marco da indústria automotiva brasileira

SANTA BÁRBARA D'OESTE — O Romi-Isetta completa 70 anos neste mês como um marco da indústria automotiva brasileira. Embora tenha tido uma trajetória comercial curta, o modelo foi pioneiro na produção de carros de passeio em série no país e ajudou a formar capacidades industriais que seriam importantes para o setor.

Fabricado pela Romi, o compacto tinha uma única porta na parte dianteira e mais de 70% do peso composto por peças produzidas no Brasil. Antes dele, os carros eram importados ou montados no país com o sistema CKD, no qual as peças vinham do exterior e o veículo era montado localmente.

A fábrica que veio das máquinas agrícolas

A Romi produzia máquinas agrícolas no interior paulista antes de lançar o carro, em 1956. O projeto foi idealizado pelo paulista Américo Emílio Romi, dono da empresa, e contou com a atuação de seu enteado, Carlos Chiti, que conseguiu na Itália a autorização para a fabricação do modelo em Santa Bárbara d'Oeste.

Antonio Carlos Angolini, idealizador do arquivo da Fundação Romi, conta que Chiti conheceu o Isetta por meio de uma publicação e viajou à Itália para obter a autorização. A fabricação aproveitou a estrutura metalúrgica já existente na cidade, ligada à produção de tornos, fresadoras, implementos e máquinas.

Para o professor e pesquisador da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Mário Sacomano, a empresa já dominava tecnologias necessárias para produzir componentes metálicos complexos. A experiência com máquinas-ferramenta e implementos agrícolas também exigia trabalhadores qualificados e precisão mecânica.

“A Romi chegou primeiro porque já possuía capacidade industrial instalada”, afirmou Sacomano. Na avaliação do pesquisador, o legado do projeto inclui uma rede de fornecedores locais, mão de obra especializada e capacidade de nacionalizar e desenvolver componentes.

O reconhecimento oficial ficou com outro modelo

A consolidação da indústria automotiva brasileira ocorreu durante o governo de Juscelino Kubitschek, com o Plano de Metas e a criação do Grupo Executivo da Indústria Automobilística (GEIA). A política priorizou empresas com grande capacidade de investimento e direcionou a expansão do setor para o ABC Paulista.

O Romi-Isetta não recebeu oficialmente o título de primeiro carro nacional por não atender ao critério de duas portas e quatro lugares estabelecido pelo governo. O reconhecimento ficou com a DKW-Vemag Universal (Vemaguet), lançada dois meses depois e com 54% do peso em peças nacionais.

A marca DKW era estrangeira e fabricava no Brasil, sob licença, veículos desenvolvidos pela alemã Auto Union. Sacomano avalia que o debate também foi influenciado pela política industrial da época, voltada à atração de grandes montadoras internacionais.

Modelo preservado por colecionadores

O interesse pelo carro continua entre colecionadores. Flavio Fernandes encontrou um exemplar de 1957 em um galinheiro enquanto procurava, com a esposa, um veículo que lembrasse a história do automobilismo brasileiro.

Ele trabalha na restauração desde 2018 e diz que o carro está quase pronto. A família também encomendou uma réplica com motor elétrico e controle remoto para o neto.

Fernandes e a esposa participaram do Encontro de Romi-Isettas 2026, realizado no último dia 5 de setembro, na sede da Fundação Romi, em Santa Bárbara d'Oeste. A data marcou o aniversário de 70 anos do lançamento do modelo.

Um legado ligado ao futuro

Para Eugênio Guimarães Chiti, membro do Conselho da Fundação Romi, a produção do carro ocorreu em um período em que o Brasil ainda era bastante agrícola, mas começava a avançar no processo de industrialização.

Sacomano afirma que, apesar de a produção ter sido relativamente pequena, o modelo fortaleceu a cadeia metalúrgica, ampliou o emprego industrial qualificado e reforçou a identidade industrial de Santa Bárbara d'Oeste.

O professor também relaciona a história da Romi aos desafios atuais da indústria automotiva brasileira. Para ele, o país precisa equilibrar a atração de investimento estrangeiro com o fortalecimento das empresas nacionais.

O economista José Eduardo Roselino afirma que o setor passa por uma transformação ligada à descarbonização e à transição energética, com o avanço de veículos híbridos, híbridos plug-in, elétricos e outras tecnologias. Ele também aponta a importância de software, semicondutores e sistemas eletrônicos para a expansão das montadoras chinesas.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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