São Bernardo do Campo, Segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Brasil

Imagens do baço podem revelar sinais ligados à doença coronariana

Estudo com dados de mais de 42 mil pessoas encontrou associações entre características do baço e a doença arterial coronariana.

Imagens do baço podem revelar sinais ligados à doença coronariana

Características do baço observadas em exames de imagem foram associadas à doença arterial coronariana (DAC), que afeta as artérias responsáveis por levar sangue ao coração. O resultado veio de um estudo conduzido por pesquisadores da Harvard Medical School e do Mass General Brigham, nos Estados Unidos, e publicado na revista Science Translational Medicine.

A pesquisa usou dados de 42.059 participantes do UK Biobank e ferramentas de inteligência artificial para analisar exames de imagem abdominal. Entre 107 parâmetros avaliados, dez apresentaram relação com a DAC.

Os pesquisadores também compararam as características do órgão com informações genéticas. Os genes relacionados estavam ligados a processos como inflamação, funcionamento das células musculares lisas, hipertensão e formação de células de gordura.

Uma das associações envolveu duas variantes genéticas no cromossomo 9, em uma região chamada 9p21. Elas estavam relacionadas a uma textura irregular e não uniforme do baço e a maiores chances de doença arterial coronariana. A relação continuou mesmo após a consideração de fatores tradicionais de risco, como pressão arterial e colesterol.

O que o estudo mostra

O baço participa da filtragem do sangue e da produção e regulação de células do sistema imunológico e inflamatório. Para Zhi Yu, professor-assistente de medicina da Harvard Medical School e pesquisador do Mass General Brigham, o órgão é um centro importante do sistema hematopoiético, que vem sendo relacionado às doenças cardíacas.

Os autores afirmam que mudanças no baço podem refletir processos biológicos ligados ao desenvolvimento da doença cardíaca. Isso, porém, não significa que exames do órgão já possam ser usados para calcular individualmente o risco de DAC.

Para testar os resultados em um ambiente clínico, a equipe analisou dados de 2.745 pessoas do Mass General Brigham Biobank. A maior parte das associações encontradas no UK Biobank não apareceu nesse segundo grupo.

Segundo os pesquisadores, as diferenças podem estar relacionadas ao perfil dos participantes e aos exames realizados. O UK Biobank reúne, em geral, pessoas mais saudáveis e submetidas a protocolos de imagem mais uniformes. Já os pacientes hospitalares podem ter históricos médicos mais complexos e exames feitos com protocolos diferentes.

Novas pesquisas, com protocolos de imagem mais padronizados e grupos clínicos maiores, ainda serão necessárias para confirmar as associações e avaliar se elas podem ajudar na prevenção ou no tratamento da doença arterial coronariana. Meghana Kamineni, primeira autora do estudo e médica do Mass General Brigham, afirmou que os achados apontam possíveis alvos para intervenções terapêuticas nesse eixo ainda pouco explorado.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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