São Bernardo do Campo, Segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Brasil

Afastamentos por burnout sobem 296% entre 2023 e 2025

Dados da Anamt com base no INSS mostram aumento dos afastamentos por esgotamento, enquanto especialistas defendem mudanças no ambiente de trabalho.

Afastamentos por burnout sobem 296% entre 2023 e 2025

Os afastamentos do trabalho relacionados ao esgotamento profissional passaram de 1760 para 6985 entre 2023 e 2025, uma alta de 296%. Os dados são da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), com informações do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e consideram trabalhadores afastados por mais de 15 dias.

O total pode ser maior porque não inclui pessoas que ficaram afastadas por menos tempo ou que não comunicaram o empregador sobre as condições de saúde.

Como o burnout é identificado

O diagnóstico não depende de um teste específico. De acordo com Francisco Cortes Fernandes, presidente da Anamt, a avaliação é clínica e considera as queixas do trabalhador, os sintomas e as condições do local onde ele atua.

Entre os sinais estão o esgotamento físico, a despersonalização — quando a pessoa passa a trabalhar no automático — e a perda de eficiência nas tarefas. Também entram na análise fatores como carga excessiva, controle exagerado e falta de recompensas.

O psiquiatra Arthur Guerra afirma que o burnout pode causar alterações no sono, dificuldade para cumprir demandas, sensação de falta de valor ou de ineficiência, tristeza, chateação e irritabilidade.

Conexão constante com o trabalho

Especialistas associam o aumento dos casos à ligação permanente com as atividades profissionais, à falta de descanso, ao excesso de estímulos e a ambientes de trabalho disfuncionais. A dificuldade de separar a vida pessoal do emprego também é ampliada pela hiperconectividade dos aparelhos digitais.

Um levantamento da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), feito com representantes de empresas que reúnem 300 mil funcionários, mostrou que 89% das organizações não têm regras para impedir mensagens fora do horário de trabalho. Além disso, 65% dos participantes disseram não contar com programas de prevenção de riscos à saúde mental.

Para Aline Wolff, psicóloga do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), a rotina de metas, informações e conteúdos pode deixar pouco espaço para a pausa. Ela afirma que o burnout também está ligado à perda de sentido, quando a pessoa continua produzindo e cumprindo objetivos sem entender o propósito do que faz.

Gabriel Okuda, psiquiatra do Hospital Oswaldo Cruz, diz que o adoecimento é individual, mas revela problemas no ambiente profissional. Equipes reduzidas, cobrança inadequada e pouca autonomia podem sobrecarregar quem permanece na empresa depois do afastamento de um colega, criando um efeito cascata.

Regra passa a incluir riscos à saúde mental

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) incluiu fatores de risco à saúde mental na NR-1, norma que define regras de segurança e saúde no trabalho. A mudança entrou em vigor em 26 de maio deste ano e exige que as empresas reconheçam e controlem situações como assédio, pressão exagerada por metas, jornadas extensas e falhas na comunicação interna.

Os especialistas avaliam que a prevenção precisa considerar tanto o trabalhador quanto a organização. O acompanhamento psiquiátrico e a terapia podem fazer parte do cuidado, mas também pode ser necessário reduzir fatores de estresse, rever a carga de trabalho e reestruturar equipes.

No dia a dia, as orientações incluem buscar equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, reservar tempo adequado para dormir, estabelecer limites para a jornada, manter hobbies, lazer e momentos com amigos e familiares. Exercício físico, mindfulness e terapia também são citados como medidas de cuidado.

Ainda assim, os especialistas ressaltam que atitudes individuais não substituem mudanças na cultura da empresa. Carga excessiva, jornadas prolongadas, demandas incompatíveis e ambientes abusivos precisam ser investigados para reduzir os fatores que contribuem para o adoecimento.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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