São Bernardo do Campo, Segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Finanças

Vorcaro repassou mais US$ 1,6 milhão ao filme Dark Horse após cobrança de Flávio

Novo pagamento ocorreu em setembro de 2025 e elevou para US$ 12,3 milhões o total destinado à cinebiografia de Bolsonaro.

Vorcaro fez mais um repasse de US$ 1,6 milhão para o filme Dark Horse após cobranças de Flávio Bolsonaro
Foto: Adriano Machado/Reuters e Reprodução

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro transferiu US$ 1,6 milhão para o filme Dark Horse em setembro de 2025, poucos dias depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), atual candidato à Presidência, cobrar parcelas que estavam atrasadas.

A transferência foi divulgada nesta terça-feira (1º) e teve a informação confirmada. O repasse se juntou a outros seis — dois de US$ 2 milhões e quatro de US$ 1,6 milhão — realizados até maio de 2025. Esses pagamentos já tinham sido divulgados em maio deste ano e, juntos, somavam R$ 61 milhões.

Com o novo valor, que até então não era conhecido, o total enviado por Vorcaro para a cinebiografia de Bolsonaro passou de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões. Na cotação vigente naquele período, a quantia correspondia a mais de R$ 65 milhões.

A transferência aparece em um dos inquéritos da Polícia Federal (PF) que investigam o caso, detalhados mais adiante. O novo pagamento foi localizado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Flávio vinha dizendo que o pagamento mais recente de Vorcaro tinha sido feito em maio de 2025. Essa versão agora foi contrariada pela PF. Quando o caso veio à tona, o senador havia declarado em entrevista que o último pagamento tinha ocorrido naquele mês: “Olha só. O último pagamento que ele fez [...] foi em maio de 2025”.

As investigações apontam que os repasses de Vorcaro ao filme ocorreram por meio da Entre Investimentos e Participações, empresa pertencente a um aliado do ex-banqueiro. A Entre enviava os recursos ao fundo Havengate, nos Estados Unidos, controlado por um advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Depois, o fundo encaminharia o dinheiro à produtora Go Up.

Em uma mensagem de áudio, Flávio disse que preferia falar para que Daniel ouvisse com calma. Afirmou saber que ele também atravessava um momento muito difícil, diante de toda a confusão e da incerteza sobre o andamento da situação. O senador acrescentou que, embora Daniel tivesse autorizado a cobrança, ele se sentia sem jeito de continuar cobrando.

A transferência de setembro ocorreu oito dias depois de Flávio cobrar as parcelas atrasadas. Pelo acordo original, esses pagamentos poderiam chegar a R$ 134 milhões.

Valor pode ser maior

O montante enviado por Vorcaro ao filme Dark Horse pode ter sido maior. Foi localizado um trecho inédito de uma conversa entre o ex-banqueiro e o publicitário Thiago Miranda, que participou da captação de recursos para a produção.

Em uma mensagem enviada a Vorcaro em 22 de outubro de 2025, Miranda perguntou se ele conseguiria liberar as parcelas do filme. O banqueiro respondeu que havia liberado mais uma naquele dia. Em seguida, Miranda afirmou que avisaria os envolvidos e que Flávio dissera que ligaria para Vorcaro.

A PF afirma que não há outros repasses registrados no informativo financeiro do Coaf. Isso, porém, não elimina a possibilidade de a transferência ter sido feita em 22 de outubro e ainda não ter sido comunicada ao órgão de fiscalização.

Caso esse pagamento adicional de US$ 1,6 milhão tenha realmente sido realizado, como afirmou o banqueiro, o total desembolsado por ele chegaria a US$ 14 milhões, equivalentes a R$ 72 milhões.

Na chegada ao Senado nesta terça-feira (1º), Flávio foi perguntado por jornalistas sobre o novo repasse. O senador respondeu que a questão deveria ser esclarecida pela produtora do filme: “Bom, essas informações eu não tenho como saber porque eu não trato disso, gente. Tem que perguntar para a produtora, desculpa. Esse assunto eu não tenho como aprofundar. Tem que perguntar para a produtora.”

O financiamento do filme sobre Bolsonaro é alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF).

O primeiro é relatado pelo ministro André Mendonça e examina os repasses feitos por Vorcaro: as circunstâncias das transferências, a origem dos recursos, o valor exato e o destino final do dinheiro. Os investigadores desconfiam que uma parte da quantia não tenha sido aplicada no filme.

O segundo inquérito, sob relatoria do ministro Flávio Dino, apura se a produtora Go Up utilizou emendas parlamentares para financiar a produção.

Também existe uma investigação em São Paulo, conduzida pela Polícia Civil, sobre um contrato de mais de R$ 150 milhões firmado entre a Go Up e a prefeitura para instalar pontos de wi-fi em bairros da periferia. O acordo não foi cumprido por completo, e há suspeitas de desvio de parte dos valores.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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