São Bernardo do Campo, Segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Finanças

MPSP aponta pagamento de R$ 4,5 milhões a ex-dirigente da Fazenda de SP

André Weiss teria recebido dinheiro em mochilas durante encontros em restaurantes e cafés de Pinheiros, segundo o Ministério Público.

Ex-número 3 da Fazenda recebia mochilas com propina em cafés chiques de SP
Foto: Reprodução/Google Maps

O ex-dirigente da Secretaria da Fazenda de São Paulo (Sefaz-SP) André Weiss foi preso nesta quinta-feira (3/9) em uma operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP). A investigação afirma que ele recebeu R$ 4,5 milhões em propina, entregue em mochilas durante encontros em restaurantes e cafés da zona oeste da capital paulista.

Os repasses teriam ocorrido em estabelecimentos de Pinheiros, como o restaurante Più, na rua Ferreira de Araújo, e a cafeteria Ofner, na Avenida Pedroso de Morais. As informações foram obtidas a partir da delação premiada do auditor fiscal Paulo Sérgio Siqueira Prado, conhecido como PP.

Como funcionaria o esquema

De acordo com o MPSP, empresas que pagavam propina a fiscais envolvidos na fraude eram favorecidas na fila de ressarcimento do ICMS, processo que pode durar anos. Os investigadores também apontam que auditores corruptos inflavam créditos tributários, que poderiam ser revendidos no mercado.

A propina teria começado em abril de 2023, quando Weiss assumiu a Diretoria de Fiscalização (Difis). O pagamento ocorreria em parcelas de R$ 250 mil, até alcançar R$ 4,5 milhões. Em troca, ele deveria manter Paulo Prado no comando da Delegacia Tributária do Butantã, onde o esquema funcionaria.

Segundo a investigação, o dinheiro saía do escritório do advogado João André Buttini de Moraes, apontado como o maior beneficiário do esquema. Ele também foi preso nesta quinta-feira. Clientes da Buttini de Moraes Sociedade de Advogados e da consultoria BM Tax pagariam honorários milionários por vantagens tributárias.

A Smart Tax, registrada em nome da mãe do ex-auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, emitiu mais de R$ 1 bilhão em notas fiscais que, segundo a apuração, seriam usadas para dar aparência legal ao dinheiro obtido com propina. A Fast Shop, que teria recebido R$ 936,4 milhões em vantagens, deverá pagar multa de R$ 1,04 bilhão com base na Lei Anticorrupção.

Sauna e lavagem de dinheiro

O MPSP também afirma que Weiss sugeriu a compra de uma sauna em São Paulo para realizar reuniões e facilitar a lavagem de dinheiro. Uma gravação encontrada no celular de Artur Gomes da Silva Neto registra uma conversa com outros auditores, incluindo Weiss, em julho de 2023.

Na gravação, Weiss teria dito que quase todas as pessoas pagam em dinheiro e que ninguém usa cartão para pagar saunas. Para o MPSP, a ideia seria um negócio de fachada. A investigação também aponta que ele tinha conhecimento das fraudes e evitava ostentar carros de luxo para não chamar atenção.

A ação é um desdobramento da Operação Ícaro, deflagrada em 2025. A operação anterior levou à prisão preventiva de executivos da Ultrafarma e da Fastshop e desarticulou um esquema atribuído ao ex-auditor Artur Gomes da Silva Neto.

Respostas e medidas

Em nota, a Secretaria da Fazenda e Planejamento informou que trabalha com o MPSP na apuração. A pasta disse que cinco envolvidos foram demitidos, um foi exonerado e 17 servidores foram afastados sem remuneração.

Também afirmou que as empresas envolvidas estão sendo responsabilizadas. As autuações já teriam resultado na constituição de mais de R$ 3 bilhões em créditos tributários, multas e juros. A secretaria declarou que novos fatos serão apurados e que medidas serão adotadas caso irregularidades sejam comprovadas.

A defesa de João André Buttini de Moraes afirmou que está tomando conhecimento da investigação e que prestará esclarecimentos às autoridades depois de ter acesso integral aos autos.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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