São Bernardo do Campo, Segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Finanças

Ato na Paulista mira Moraes e evita citações a Trump no palanque

Manifestação teve símbolos dos Estados Unidos e pedidos de intervenção, mas discursos se concentraram em Alexandre de Moraes e no Senado.

7 de setembro na Paulista: Flávio tenta se descolar de Vorcaro em ato com símbolos dos EUA e manifestantes pedindo intervenção de Trump

O ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista, em São Paulo, reuniu Flávio Bolsonaro (PL) e outros nomes da extrema direita com bandeiras dos Estados Unidos e de Israel, referências a Donald Trump e críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Apesar dos cartazes que pediam a atenção ou a intervenção de Trump nas eleições brasileiras, o presidente dos Estados Unidos não foi citado pelos principais oradores.

Flávio também não mencionou Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, embora sua relação com o empresário tenha sido revelada nos últimos meses. O candidato à Presidência chamava Vorcaro de irmãozão enquanto pedia dinheiro ao banqueiro. No discurso, afirmou que “esse consórcio de Lula com Moraes vai acabar”.

O candidato disse que, se for eleito, indicará ao STF ministros contrários ao aborto, às drogas e ao que chamou de “ideologia de gênero nas escolas”. Também comparou a condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado a uma segunda facada, em referência ao atentado sofrido pelo pai durante a campanha de 2018.

Críticas a Moraes e defesa de maioria no Senado

Alexandre de Moraes foi o nome mais citado no palanque. As referências ao ministro ocorreram após revelações sobre suas relações com Vorcaro e deram espaço a pedidos de afastamento ou impeachment, além da defesa de uma maioria de direita no Senado.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), questionou se os apoiadores deveriam permanecer em silêncio ou reagir. Em seguida, defendeu a atuação do Senado e a eleição de parlamentares de direita para a Casa, que tem a atribuição constitucional de processar eventuais pedidos de impeachment de ministros do Supremo.

Nikolas Ferreira (PL-MG) pediu “Fora Moraes” e afirmou que os bolsonaristas vão tirar o que chamou de sorriso debochado do rosto do ministro. Também disse que o lugar de Moraes seria a cadeia e prometeu realizar um ato em frente à casa de Davi Alcolumbre (União-AP) em defesa do impeachment.

Silas Malafaia chamou Moraes de “ditador da toga” e pediu que o presidente do STF afastasse o ministro. O pastor afirmou que a mobilização não buscava desmoralizar a Corte, mas depois defendeu uma ofensiva contra o magistrado.

Malafaia ainda mencionou conversas entre Vorcaro e Moraes. Disse que o ministro teria atuado contra André Mendonça após o ministro indicado por Jair Bolsonaro retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal com informações sobre o caso. Cartazes em apoio a Mendonça foram vistos na manifestação, e o nome dele foi celebrado pelo público.

O Banco Master também apareceu nos discursos, enquanto as relações de aliados presentes no ato com Vorcaro foram deixadas de lado. Nikolas Ferreira trocou mensagens com o empresário e pediu ajuda para resolver uma questão sobre um ativo minerário de um conhecido. O deputado nega ter recebido dinheiro de Vorcaro.

Tarcísio recebeu, em 2022, R$ 2 milhões de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e maior doador individual de sua candidatura ao governo de São Paulo. O governador nega favorecimento, afirma nunca ter tido contato com Vorcaro ou Zettel e diz que a acusação “beira o ridículo”.

Símbolos dos Estados Unidos e mudança de discurso

Durante o ato, um boneco gigante de Trump, placas em inglês, bonés com “Trump 2028” e “Make America Great Again” e um manifestante vestido como Elvis Presley compuseram a cena. Cartazes também pediam que o presidente americano acompanhasse as eleições brasileiras.

A manifestação não teve a grande bandeira dos Estados Unidos exibida no ato bolsonarista de 7 de Setembro de 2025. A mudança ocorreu em meio à disputa eleitoral e ao debate sobre interferência estrangeira. Pesquisa Datafolha divulgada em agosto apontou que 50% dos brasileiros consideravam possível uma interferência externa nas eleições. Desse total, 32% viam isso como um problema e 18% não viam.

Flávio havia agradecido a Trump quando o presidente americano anunciou, em julho de 2025, uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. No fim de agosto deste ano, já como candidato, disse em sabatina ao Jornal Nacional que Eduardo Bolsonaro tinha errado ao agradecer pela medida. O próprio Flávio havia feito um agradecimento semelhante em uma publicação de 2025.

Em julho, o senador pediu formalmente ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) que uma nova tarifa de 25% contra o Brasil não fosse aplicada antes das eleições. Na manifestação, afirmou que a medida poderia ser interpretada como tentativa de influência sobre a disputa brasileira.

Soberania no desfile em Brasília

Em Brasília (DF), o governo Lula colocou a soberania nacional no centro das comemorações oficiais. Na véspera, o presidente afirmou que o Brasil não deveria baixar a cabeça diante de potências estrangeiras e declarou que o país não seria colônia de ninguém.

Lula citou reservas de terras raras, petróleo e água doce e defendeu o uso de minerais críticos e outros recursos estratégicos para desenvolver tecnologia e gerar empregos no Brasil. No desfile da Esplanada dos Ministérios, o lema foi “Soberania: a força que une o Brasil”.

Cerca de 4 mil civis e militares participaram da cerimônia, que incluiu máquinas da agricultura familiar, estoques públicos de alimentos, vacinação, educação, proteção ambiental e defesa das riquezas naturais. O evento também destacou o combate à violência contra meninas e mulheres e a Copa do Mundo Feminina de 2027.

Parte do público nas arquibancadas pediu o fim da escala 6×1, manifestou apoio a Lula e criticou a anistia aos envolvidos nos atos golpistas. O desfile foi acompanhado por Hugo Motta, Davi Alcolumbre e Edson Fachin.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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