São Bernardo do Campo, Segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Carros

Carros chineses pressionam preços de seminovos no Brasil em 2026

Negociações de veículos com até três anos de uso recuaram 9,3% no primeiro semestre, enquanto descontos ampliaram a vantagem dos modelos novos.

Carros chineses pressionam preços de seminovos no Brasil em 2026
Foto: Divulgação/Toyota, Honda, Jeep e Geely

Os preços negociados de carros seminovos com até três anos de uso caíram 9,3% entre janeiro e junho de 2026, segundo dados da Auto Avaliar. A queda foi maior que a registrada pela tabela Fipe, de 2,4% no mesmo período. Em alguns modelos, a desvalorização passou de 20%.

A pressão sobre os usados ocorre com a chegada de novas marcas e modelos chineses ao Brasil e com o aumento dos descontos oferecidos pelas montadoras tradicionais. Volkswagen Nivus, Toyota Corolla Cross, Toyota Yaris e Toyota SW4 estão entre os veículos que mais perderam valor no primeiro semestre.

Em julho, a Bright Consulting informou que o preço médio dos carros novos subiu menos que a inflação em 2026 pela primeira vez em seis anos. Considerando a inflação, os veículos zero-quilômetro ficaram 1,5% mais baratos no ano.

Descontos mudam a comparação entre novo e usado

Entre maio e agosto, as fabricantes anunciaram reduções de preços, bônus e outras condições comerciais. O Mitsubishi Outlander PHEV teve desconto de R$ 55 mil. No Suzuki e-Vitara, a redução chegou a R$ 50 mil. O Fiat Fastback Hybrid recebeu desconto de R$ 38,5 mil, e o BYD Song Pro teve redução de R$ 28,5 mil, também por causa da chegada do sucessor Song Pro Flex.

Para Geraldo Victorazzo, vice-presidente da Auto Avaliar, uma redução significativa no preço de um carro novo muda a referência usada pelo consumidor e afeta o valor dos seminovos. “O carro não precisa sair da garagem para perder valor”, afirmou.

Uma simulação da empresa mostra como as condições de compra podem alterar o resultado. No caso do Jeep Compass Sport, o preço de tabela era R$ 174 mil, mas o valor na loja, com desconto, ficou em R$ 147 mil. Considerando um carro de R$ 88 mil dado na troca, o financiamento seria de R$ 59 mil, em 30 parcelas sem juros de R$ 1.966,67. O custo total, sem outras taxas, seria de R$ 147 mil.

No Volkswagen Taos Comfortline 2025, o preço anunciado era R$ 164 mil e o valor com desconto ficou em R$ 159 mil. Com o veículo usado avaliado em R$ 88 mil, seriam financiados R$ 71 mil, em 30 parcelas com juros de 1,6% ao mês. A parcela ficaria em R$ 2.997,80 e o custo total chegaria a R$ 177,9 mil.

Nesse cenário, o usado tinha anúncio mais barato, mas terminava R$ 30 mil acima do zero-quilômetro por causa das condições de financiamento e dos descontos.

Entre junho de 2025 e junho de 2026, o preço médio efetivamente pago nas transações de carros novos caiu 3,5%. Já o preço público recuou 1,5%. Para a Auto Avaliar, isso mostra que as negociações feitas nas lojas podem mudar antes dos índices tradicionais.

Procura por modelos chineses aumenta

A busca por carros de marcas chinesas cresceu 124% entre janeiro e julho de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, segundo o Data OLX Autos. A faixa entre R$ 100 mil e R$ 130 mil concentrou 27% das buscas por esses veículos.

A Auto Avaliar informa que sua plataforma reúne mais de 27 mil lojistas e mais de 6 mil concessionárias cadastradas, equivalentes a 85% do segmento. Na OLX, o segmento de veículos recebe 565 mil usuários por dia, e mais de 22 mil veículos novos são ofertados diariamente. Esses números são médias de 2026.

Mesmo com a pressão nos preços, o mercado de usados manteve volume elevado. Entre janeiro e julho de 2026, foram negociados 7,9 milhões de automóveis e comerciais leves usados no Brasil. A proporção foi de 4,88 veículos usados para cada carro novo vendido.

Impacto para lojas e consumidores

A consultora Tereza Fernandez avalia que a queda dos preços dos seminovos está se consolidando em 2026. Para ela, a combinação entre a chegada de marcas chinesas e as reduções feitas pelas montadoras tradicionais aumentou a pressão sobre os usados.

Lojas com estoques elevados podem ter prejuízos, dependendo da velocidade com que conseguem reduzir os preços e limitar as perdas. Tereza Fernandez não considera que exista uma crise no segmento de lojas de carros usados e afirma que o impacto varia conforme a desvalorização e o volume mantido em estoque. “Lojas que têm estoques muito grandes podem enfrentar problemas mais sérios com a desvalorização”, disse.

Quem pretende trocar de carro também pode ser afetado. O seminovo usado na negociação pode valer menos, mas o próximo veículo usado comprado pelo consumidor também tende a ter preço menor. Para a consultora, o efeito mais relevante aparece na compra de um zero-quilômetro, que depende dos descontos das montadoras.

Ela também aponta que a inadimplência levou os bancos a adotar critérios mais rígidos, dificultando o acesso ao crédito. Por isso, não é possível aplicar o mesmo comportamento a todo o mercado.

Para Cássio Pagliarini, da Bright Consulting, a maior confiança do consumidor faz parte da explicação para a queda dos seminovos. Clientes que antes compravam usados passaram a considerar carros novos, enquanto os modelos chineses ganharam espaço por oferecerem eletrificação, tecnologia e garantia.

Pagliarini afirma que a dificuldade de aprovação do financiamento limita os negócios, apesar da demanda. Ele também avalia que os veículos eletrificados mudaram de posição no mercado: antes permaneciam mais tempo nos estoques e tinham menor poder de revenda, situação que, segundo ele, ficou para trás.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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