Donald Trump encerrou neste domingo (13) uma visita de dois dias à Irlanda, marcada por declarações favoráveis à reunificação da ilha. Durante encontro com o primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, em Dublin, o presidente americano afirmou que a união entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte eventualmente acontecerá e que poderia ocorrer agora.
A posição rompeu com a tradicional neutralidade de Washington sobre o tema. As declarações provocaram reação de unionistas pró-Reino Unido na Irlanda do Norte e de alguns políticos britânicos. A secretária de Estado britânica, Angela Rayner, disse que Trump expressa o que pensa, mas ressaltou a importância do Acordo da Sexta-Feira Santa.
O acordo de 1998 encerrou, em grande parte, três décadas de conflito na Irlanda do Norte. Pelo texto, um referendo sobre a unificação pode ser convocado caso o governo britânico avalie que há probabilidade de maioria favorável na Irlanda do Norte. A população da República da Irlanda também teria de aprovar a mudança em uma votação separada.
Golfe e negócios
Depois da reunião em Dublin, Trump foi para Doonbeg, na costa oeste da Irlanda. O local abriga um campo de golfe da Trump Organization, empresa que comprou a propriedade em 2014. O presidente acompanhou neste domingo o Aberto da Irlanda, principal compromisso da viagem, antes de retornar a Washington.
Micheál Martin afirmou que os 784 moradores de Doonbeg eram muito gratos pelo investimento da empresa e que a família Trump era bem-vinda na região. Eric e Don Jr., filhos do presidente, acompanharam a visita e administram os negócios da família desde o retorno de Trump à Casa Branca no ano passado.
Cerca de 40.000 torcedores eram esperados no torneio, que tinha como principal atração Rory McIlroy, seis vezes campeão de Majors e atual número dois do mundo.
A presença do presidente elevou a complexidade do esquema de segurança. O custo para a Irlanda foi estimado em 20 milhões de euros, equivalentes a 118 milhões de reais. O campo, localizado no condado de Clare, foi alvo de duas ações de ativistas pró-palestinos nos últimos 18 meses.
Democratas da oposição nos Estados Unidos criticam há anos a proximidade entre a presidência e os interesses comerciais de Trump. Declarações financeiras exigidas por lei indicam que ele obteve mais de 2 bilhões de dólares, cerca de 10 bilhões de reais, em renda durante 2025, grande parte ligada a atividades com criptomoedas.








