Os preços do petróleo voltaram a subir com a escalada de tensões envolvendo a Arábia Saudita e os houthis no Iêmen. O Brent era negociado nesta quarta-feira (16) a 108,5 dólares por barril nas primeiras operações na Ásia. Apesar de uma leve queda em relação à véspera, a cotação ainda estava quase 80% acima do nível anterior ao início da guerra em fevereiro.
A alta ocorreu no mesmo período em que a coalizão militar liderada pela Arábia Saudita informou ter destruído um drone lançado na direção de Meca. Segundo a defesa aérea saudita, o aparelho foi abatido na terça-feira (15), antes de entrar no espaço aéreo restrito da cidade sagrada.
Os houthis, grupo do Iêmen apoiado pelo Irã e adversário do governo reconhecido pela comunidade internacional, negaram ter realizado o ataque. Hazm al-Assad, um dos líderes do grupo, chamou as acusações de mentira em uma publicação na rede social X.
As autoridades sauditas haviam emitido, na manhã de terça-feira (15), um alerta aéreo para Meca. Foi o primeiro aviso desse tipo para o destino religioso, que recebe milhões de peregrinos todos os anos. A coalizão declarou que a segurança das duas mesquitas sagradas e dos visitantes é uma linha vermelha.
A Organização para a Cooperação Islâmica condenou os ataques, que classificou como uma profanação dos lugares sagrados e uma agressão aos sentimentos dos muçulmanos. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, também criticou o episódio.
Disputa pelo Mar Vermelho
Na terça-feira (15), o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, e o presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, defenderam garantias para a liberdade e a segurança da navegação no Estreito de Bab el-Mandeb. A passagem conecta a Europa e a Ásia pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez.
Os houthis afirmam que não há ameaça à navegação no estreito, exceto para navios sauditas. O Ministério das Relações Exteriores do Catar disse que um fechamento da rota teria consequências catastróficas.
O grupo anunciou nesta quarta-feira (16) ter derrubado um avião de combate saudita e acusou a Arábia Saudita de realizar 450 ataques aéreos contra o país vizinho nesta semana. Desde o reinício dos combates, no início de setembro, pelo menos 100.000 pessoas foram deslocadas no Iêmen, segundo o ACNUR.








