Os resultados do Pisa 2025 mostram que o Brasil diminuiu a distância para a média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mas continua abaixo dela nas três áreas avaliadas. A aproximação ocorreu principalmente porque o desempenho brasileiro ficou relativamente estável, enquanto a média da organização recuou nos últimos anos.
A avaliação considera estudantes de 15 anos em matemática, leitura e ciências. O Brasil registrou 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. A média de 23 países da OCDE foi de 466, 469 e 486 pontos, respectivamente. Cada 20 pontos equivalem a um ano escolar. Em matemática, a diferença representa cerca de 4,6 anos de atraso em relação aos países da organização.
Na comparação entre 2006 e 2025, a distância brasileira caiu de 102 para 58 pontos em leitura; de 131 para 92 em matemática; e de 113 para 77 em ciências. Para Rodrigo Fulgêncio, 1º vice-presidente da Associação Brasileira de Sistemas de Ensino e Plataformas Educacionais (Abraspe), o país apresentou melhora no longo prazo, sobretudo em ciências e leitura, mas parte relevante dessa aproximação ocorreu pela queda da média da OCDE.
Aprendizagem ainda concentrada nos níveis baixos
Somente 28% dos estudantes brasileiros alcançaram pelo menos o nível 2 em matemática, considerado o mínimo. Jalman Lima, gerente da CASIO Educação, afirmou que a estabilidade ocorreu em um patamar baixo e que o desafio é transformá-la em crescimento real da aprendizagem.
Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann, disse que o Brasil ainda não conseguiu produzir ganhos de aprendizagem em escala. Ele também destacou a parcela elevada de estudantes abaixo dos níveis mínimos, as desigualdades de desempenho e os efeitos da pandemia sobre a trajetória escolar.
Entre os problemas apontados estão a dificuldade para interpretar situações, relacionar informações, escolher estratégias e avaliar diferentes fontes. Em ciências, a diferença entre os 25% mais favorecidos e os 25% mais vulneráveis chega a 96 pontos, quase cinco vezes o aprendizado médio associado a um ano escolar.
O Pisa 2025 envolveu 760 mil estudantes de 91 países. No Brasil, participaram 30.140 estudantes. Do total, 72,4% eram de escolas estaduais e 84,7% estavam na 1ª ou 2ª série do ensino médio. As provas foram aplicadas entre abril e maio de 2025, com foco no letramento em ciências.
Celulares e inteligência artificial
A avaliação também investigou o uso de dispositivos digitais. No Brasil, 81% dos estudantes frequentavam escolas com restrições ao uso de celulares em sala de aula, ante 37% em 2022. A média da OCDE foi de 49%.
A ocorrência da chamada leitura apressada quase dobrou entre 2018 e 2025. Além disso, 28% dos estudantes disseram que colegas se distraem com dispositivos digitais na maioria ou em todas as aulas de Ciências, enquanto 46% afirmaram usar Inteligência Artificial semanalmente ou mais para estudar.
Para Fulgêncio, o resultado indica que ampliar o acesso à informação e à tecnologia não garantiu maior aprendizagem. O desafio é ajudar os estudantes a manter a atenção, ler com profundidade, avaliar informações, construir raciocínios e usar a tecnologia sem substituir o pensamento.








