O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Albert Ramdin, pediu nesta quinta-feira (10) que os países-membros avaliem medidas conjuntas contra o governo da Nicarágua. A proposta veio após a Assembleia Nacional do país impedir a participação eleitoral de opositores classificados como “traidores à pátria”.
A decisão, aprovada na semana passada, pode abrir caminho para um sistema de partido único. “O que está acontecendo na Nicarágua é absolutamente inaceitável”, afirmou Ramdin na sede da OEA.
A organização convocou uma reunião de consulta de chanceleres para discutir a situação. O encontro extraordinário pode ser realizado depois da Assembleia Geral da ONU, no fim do mês. Ramdin disse que a data ainda está em negociação entre os Estados Unidos e os países-membros.
Pressão sobre o governo
O secretário-geral defendeu a criação de um conjunto de medidas para aumentar a pressão sobre o governo nicaraguense e iniciar um processo de diálogo. Segundo ele, a condução desse eventual processo ainda não foi definida e poderia ficar a cargo de um grupo de Estados-membros.
A Nicarágua deixou a OEA em novembro de 2023. O país é governado por Daniel Ortega e Rosario Murillo, que formam o casal presidencial. Ortega é ex-guerrilheiro sandinista e tem 80 anos; Murillo tem 75.
Os dois estão no poder desde antes dos protestos de 2018, que deixaram ao menos 300 mortos, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).
Os Estados Unidos já aplicaram sanções econômicas contra Ortega, Murillo, o governo e entidades consideradas importantes no país. A medida foi adotada para aumentar a pressão sobre as autoridades nicaraguenses.








