RIO DE JANEIRO — A Polícia Civil do Rio indiciou 13 pessoas pela morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, espancado em 12 de agosto deste ano em Copacabana, na Zona Sul do Rio. A investigação concluiu que o conflito começou por causa de uma bicicleta antiga, desgastada e enferrujada, de baixo valor comercial e cuja propriedade não havia sido esclarecida.
O delegado Angelo Lages, titular da 12ª DP (Copacabana), classificou o motivo como fútil no relatório. Cinco indiciados vão responder por homicídio triplamente qualificado, considerando o motivo, o uso de meio cruel e a dificuldade de defesa da vítima.
"O conflito nasceu de uma suspeita relacionada ao furto de uma bicicleta", escreveu Lages. Ainda conforme o documento, não houve demonstração de que Cláudio tivesse retirado o bem, mas a suspeita foi usada para iniciar uma agressão coletiva que terminou na morte do ciclista.
Acusados pelo homicídio
Foram indiciados Davi dos Santos Machado, Jorge Luiz Ricardo Dias, Felipe Eduardo dos Santos Dias, Ailton José da Silva e Wellignton Luiz Santos de Souza. Davi e Jorge prestavam serviços irregulares de segurança em Copacabana. Felipe e Aílton trabalhavam como entregadores de aplicativos. Os quatro estão presos.
Wellington está foragido. Morador da Rocinha, ele aparece nas imagens dando chutes na cabeça de Cláudio. Testemunhas disseram que ele perguntou aos entregadores se a vítima era um ladrão e, depois, afirmou: “Ladrão tem que morrer mesmo”.
Câmeras de segurança registraram o espancamento, que também foi gravado pelos próprios agressores. A análise do material mostrou que a violência continuou depois que Cláudio caiu no chão, segundo o delegado.
Segurança irregular nas ruas
A investigação também identificou uma estrutura informal de segurança na região. Aluísio da Silva Filho disse que contratava os integrantes e organizava as escalas. Ele foi indiciado por exercício ilegal da profissão de segurança de rua, assim como Davi, Jorge e Antônio Marcos Pires Sudre da Silva.
Quatro comerciantes foram acusados de financiar o serviço: Antônia Sandra Rodrigues Ferreira, da lanchonete Só Pra Ti; Antônio Gonçalves Santiago Neto, do Café Bar Nosso Cantinho e do Bar e Café Tropical; Lucilene Barros da Silva, da Farmácia Top Farma; e Antônio Ivan Alves Pereira, sócio-proprietário do restaurante Boteco Amarelim de Copa.
Os comerciantes disseram que pagavam de R$ 120 a R$ 150 por semana pela segurança, em dinheiro ou por PIX, a Aluísio. Ele arrecadava até mil reais por semana e recebia R$ 250 para liderar a atividade.








