São Bernardo do Campo, Segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Brasil

Faraó dos Bitcoins admite influência sobre preços de criptomoedas em depoimento

Glaidson Acácio dos Santos afirmou que atuava como “baleia” e disse ter dinheiro para pagar credores da GAS Consultoria.

Faraó dos Bitcoins admite influência sobre preços de criptomoedas em depoimento

Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como Faraó dos Bitcoins, admitiu em depoimento que conseguia influenciar o preço de criptomoedas. Ele afirmou que atuava como uma “baleia”, termo usado para investidores com ativos suficientes para mexer no mercado, e contou que conversava com outros grandes investidores para apostar na queda de determinados ativos.

As declarações foram dadas em juízo, no processo que vai definir se Glaidson e sua esposa, Mirelis Yoseline Diaz Zerpa, cometeram crimes contra o sistema financeiro. As autoridades afirmam que o esquema movimentou mais de R$ 38 bilhões e pode ter deixado 77 mil vítimas.

— Como "baleia", eu consigo, manipular outras criptomoedas. E entro em contato com outras "baleias" — disse Glaidson.

Como funcionava a captação de dinheiro

Glaidson e Mirelis são acusados de liderar uma organização criminosa que operava uma pirâmide financeira disfarçada de investimentos em criptomoedas por meio da GAS Consultoria. A empresa prometia lucros acima do mercado e atraiu empresas, artistas, jogadores de futebol e pessoas que fizeram empréstimos para investir.

Na Justiça, 77 mil credores cobram quase R$ 3 bilhões de ressarcimento. Glaidson declarou que os contratos eram individuais e afirmou que funcionários levavam dinheiro em espécie de clientes até São Paulo. Depois, os valores eram transferidos para a carteira da GAS.

Glaidson está preso desde 2021. Ele também é acusado de mandar matar rivais em Cabo Frio, onde a financeira era sediada. A defesa afirma que ele é inocente e contesta a lista de credores e os valores cobrados. Os advogados dizem ainda que a interrupção dos pagamentos da GAS ocorreu por ordem judicial.

Defesa de Mirelis

Mirelis não foi presa com o marido em 2021. Depois da operação policial, deixou o país e foi morar nos Estados Unidos. Ela acabou presa pela imigração norte-americana e deportada para responder à Justiça Federal.

O Ministério Público Federal acusa Mirelis de dividir com Glaidson a liderança do esquema. Ela nega e afirma que não administrava a carteira de clientes. Segundo a própria defesa, sua função era estudar o mercado, operar criptomoedas e buscar ganhos com negociações.

Após a prisão de Glaidson, Mirelis ficou em Kissimmee, na Flórida. O Ministério Público Federal identificou o saque de 4,5 mil bitcoins das contas, valor equivalente a R$ 1 bilhão. Depois, ela anunciou uma plataforma chamada GMX, formada pelas iniciais de Glaidson e Mirelis e pela promessa de lucro de 10%.

Mirelis declarou que sacou apenas criptomoedas pessoais para movimentar ativos da GAS. Os advogados afirmam que o dinheiro retirado após a prisão foi usado para devolver valores aos clientes e negam que ela integrasse a estrutura administrativa da empresa.

Valor da carteira ainda é desconhecido

A carteira de Glaidson está guardada em um cofre da Polícia Federal. O dispositivo é uma cold wallet, aparelho externo que pode armazenar moedas digitais sem conexão com a internet. O acesso depende de senhas que, em tese, ficam apenas com o proprietário.

Glaidson não informou quanto possui na carteira. Ele alegou que revelar o valor poderia colocar sua integridade física em risco, mas afirmou ter recursos suficientes para pagar os 77 mil credores que cobram quase R$ 3 bilhões.

— A senha, agora de cabeça, eu não sei. Mas tá lá. Tá tudo lá — afirmou.

Se forem condenados, Glaidson, Mirelis e mais 15 acusados de participação no esquema podem receber penas superiores a 40 anos de prisão.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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