Um pernambucano de 57 anos foi deportado dos Estados Unidos para a Guiné Equatorial, na África Central, junto com imigrantes de Cuba e de Camarões. Pietro Graza de Lima vivia na Flórida e deixou o país em agosto deste ano, depois de perder o passaporte.
Em 20 de agosto, ele foi colocado em um voo com destino à Libéria, acompanhado de outros imigrantes. Ao chegar ao país, Pietro e outras quatro pessoas se recusaram a desembarcar. O grupo acabou sendo levado para a Guiné Equatorial.
Pietro afirmou que os passageiros foram retirados à força da aeronave. “Nós ficamos com hematomas no corpo”, disse. De acordo com o brasileiro, cerca de 10, 20 policiais encapuzados e armados aguardavam o grupo no destino final.
Os imigrantes foram encaminhados ao Hotel Bamy, propriedade do presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo. Eles permanecem restritos aos quartos e sem comunicação.
A legislação local prevê que imigrantes podem ficar detidos por até 60 dias. Depois desse período, devem ser enviados aos países de origem ou podem solicitar asilo na Guiné Equatorial. Um levantamento do projeto Third Country Deportation Match aponta que seis voos de deportação saíram dos Estados Unidos com destino ao país desde o ano passado, levando 53 imigrantes.
Histórico no Brasil
Pietro foi preso no Recife em 2016 por fabricação e venda de anabolizantes. Enquanto aguardava a sentença em liberdade, ele foi atingido por sete tiros. O brasileiro classifica o episódio como uma emboscada armada por policiais corruptos.
Depois do ocorrido, Pietro foi para os Estados Unidos com visto de estudante. Ele afirma que trabalhou como cozinheiro e também morou na rua por questões psiquiátricas.
Informações do Itamaraty
A Embaixada do Brasil em Malabo foi informada pelas autoridades da Guiné Equatorial, em 25 de agosto, sobre a presença de um brasileiro entre os deportados. O Ministério das Relações Exteriores pediu informações às autoridades locais e norte-americanas e solicitou uma visita ao brasileiro.
Em 2 de setembro, o embaixador do Brasil em Malabo foi recebido pelo chefe do Departamento Consular da chancelaria equato-guineense. Segundo o ministério, o brasileiro estava em boa situação de saúde e hospedado em um hotel indicado pelas autoridades locais.
O Itamaraty informou ainda que, até o momento, Pietro ou sua família não haviam solicitado assistência consular.








