A autoria do Hino da Independência é dividida entre Evaristo da Veiga, responsável pelos versos, e Dom Pedro I, que criou a melodia. A obra não foi composta inteira no dia 7 de setembro de 1822: letra e música surgiram em momentos diferentes e se uniram ao longo daquele ano.
De poema a canção
Evaristo da Veiga escreveu a letra em agosto de 1822. Na origem, o texto era um poema chamado Hino Constitucional Brasiliense, criado em meio ao crescimento do sentimento de autonomia na província do Rio de Janeiro. O material circulou em panfletos e pelas ruas, alcançando a população em um período de tensão política.
Dom Pedro I entrou depois na história da obra. O então príncipe regente tinha conhecimento de composição e tocava vários instrumentos. Ao conhecer os versos, criou uma melodia de caráter marcial e vibrante, ainda em 1822. Assim, o poema passou a ter o formato de uma canção ligada à emancipação brasileira.
Naquele período, as Cortes de Lisboa pressionavam pelo retorno de Dom Pedro a Portugal e pela retirada de liberdades comerciais e administrativas obtidas desde a chegada da Família Real, em 1808. Os versos de Evaristo da Veiga expressavam a resistência à possibilidade de perda dessa autonomia.
Outra melodia foi criada
Dom Pedro I não foi o único a musicar o poema. Marcos Portugal, compositor português que vivia no Brasil e atuava como mestre de música da corte, também escreveu uma partitura para os mesmos versos.
Nos primeiros anos depois da independência, a versão de Marcos Portugal foi apresentada em solenidades oficiais e eventos públicos. Com o tempo, porém, a melodia de Dom Pedro I ganhou preferência popular e se firmou como a versão associada ao hino. A partitura do maestro português acabou preservada em arquivos históricos.
O significado da letra
A mensagem do hino combina celebração da liberdade e disposição para defender a autonomia. O início, “Já podeis da Pátria filhos / Ver contente a mãe gentil”, apresenta o Brasil como uma nação que podia comemorar sua nova condição.
O refrão “Ou ficar a pátria livre / Ou morrer pelo Brasil” retoma o sentido do grito do Ipiranga, “Independência ou morte”. A letra fala em sacrifício pela liberdade e não descreve batalhas sangrentas. O foco está na coragem civil e na esperança de um futuro autônomo, sem as amarras de Portugal.
O Hino da Independência é anterior ao Hino Nacional Brasileiro. A melodia do Hino Nacional foi criada por Francisco Manuel da Silva em 1831, enquanto a letra definitiva, de Osório Duque-Estrada, só foi oficializada em 1922.
A lei brasileira determina que o Hino da Independência seja executado em cerimônias cívicas, especialmente durante as comemorações da Semana da Pátria, em setembro. A obra continua presente nas celebrações da identidade nacional brasileira.







