São Bernardo do Campo, Segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Finanças

Greve reúne estudantes de USP, Unicamp e Unesp por moradia e bolsas

Mobilização cobra investimentos, melhorias na permanência estudantil e revisão do financiamento das universidades estaduais de São Paulo.

Estudantes da USP, Unicamp e Unesp ampliam greve por permanência estudantil e denunciam sucateamento da educação pelo governo Tarcísio

Estudantes da USP, da Unicamp e da Unesp ampliaram uma greve que reivindica melhores condições de permanência, moradia estudantil, bolsas e mais recursos para as universidades estaduais de São Paulo. A mobilização começou na USP há mais de um mês e ganhou adesões em Campinas, Bauru, Marília e na capital paulista.

Na próxima quarta-feira (20), estudantes pretendem sair da USP em marcha até o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. O grupo quer cobrar investimentos nas instituições e contestar medidas que, segundo o movimento, reduzem a estrutura da educação pública e ameaçam a autonomia universitária.

Conflito na USP

Na USP, a paralisação ocorre em meio a um impasse entre estudantes e reitoria. Pedro Chiquitti, estudante de História e diretor do Diretório Central dos Estudantes (DCE-USP), afirmou que as decisões da administração têm sido “bastante unilaterais”.

O conflito se agravou depois da desocupação da reitoria pela Polícia Militar, que terminou com quatro estudantes detidos e pessoas feridas no último domingo (10). Chiquitti também disse que os estudantes estavam “há 15 dias sem nenhum tipo de comunicado da reitoria”.

Após pressão de docentes que apoiaram a greve, a USP anunciou, na quarta-feira (13), a criação de uma Comissão de Resolução de Conflitos. O movimento estudantil recebeu a medida com desconfiança. Também critica um projeto de lei apresentado por deputados ligados ao MBL que prevê expulsão ou impedimento de matrícula para estudantes envolvidos em ocupações.

A USP informou que seus posicionamentos estão em notas oficiais. A universidade defendeu a reintegração de posse da reitoria para garantir o acesso ao prédio e comunicou a criação da Comissão de Moderação e Diálogo Institucional.

Adesões na Unicamp e na Unesp

Na Unicamp, ao menos 20 cursos aderiram à greve. As reivindicações incluem melhorias na moradia, reajuste das bolsas e oposição à terceirização de serviços como limpeza e o Restaurante Universitário. Os estudantes também pedem um cronograma de concursos e o aumento imediato das bolsas de auxílio-permanência.

A reitoria declarou que as atividades essenciais seguem funcionando e informou que uma comissão da administração se reunirá na próxima segunda-feira (18) com lideranças estudantis. A universidade também anunciou a compra de um terreno de 44 mil metros quadrados em Barão Geraldo, com investimento de R$ 20 milhões, para ampliar o programa de moradia estudantil.

Na Unesp, a mobilização alcança unidades em Bauru, Marília e o Instituto de Artes, na capital. As pautas incluem o aumento dos auxílios, reformas estruturais e críticas aos cortes orçamentários. Em Bauru, a paralisação envolve cursos da Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design e da Faculdade de Ciências. Em Marília, a greve se concentra na Faculdade de Filosofia e Ciências.

No Instituto de Artes, estudantes e parte dos docentes cobram reformas no prédio, que enfrenta infiltrações e falta de equipamentos básicos para aulas práticas. Os estudantes de Bauru também afirmam que o auxílio-aluguel não cobre os custos básicos de moradia.

A Unesp informou que destinou R$ 110,7 milhões para políticas de permanência estudantil em 2026. Em 2025, a instituição atendeu 7.746 estudantes com algum tipo de auxílio e informou que 17 unidades têm restaurantes universitários.

A universidade disse ainda que o orçamento para 2026 prevê despesas de R$ 4,98 bilhões e receitas de R$ 4,79 bilhões, com déficit de R$ 189 milhões coberto por superávit financeiro. A reitoria afirmou reconhecer o direito de manifestação dos alunos e que as unidades podem alterar o calendário escolar se as aulas forem afetadas.

As três universidades defendem a revisão do repasse do ICMS, principal fonte de financiamento das estaduais. A reivindicação será levada ao Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), que publicou uma nota em defesa do pluralismo, da diversidade de opiniões e do espírito democrático e republicano.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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