A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) autorizou, sem restrições, a aquisição da Desktop pela Claro. A decisão considera que a operação não deve permitir que a compradora exerça poder de mercado de forma unilateral, mesmo nas cidades em que as duas empresas têm maior participação.
A principal sobreposição entre as companhias está no mercado de banda larga fixa. Ela ocorre em 198 municípios, com participações conjuntas relevantes em parte dessas localidades. Na avaliação do Cade, a existência de redes e a atuação de concorrentes locais e nacionais mantêm condições para a disputa entre as empresas. “As condições de entrada, rivalidade e contestabilidade mostraram-se suficientes para mitigar os riscos concorrenciais”, afirmou a Superintendência-Geral.
Participação em São Paulo
A Desktop atende 1,2 milhão de clientes em 198 cidades do estado de São Paulo e tem 7,6% do mercado. A Claro possui 4,5 milhões de clientes paulistas, com 28,3% de participação, enquanto a Vivo soma 4,9 milhões e 31%.
O parecer também apontou que a Claro terá incentivo econômico para retirar aos poucos as infraestruturas consideradas redundantes após a operação.
A compra foi anunciada oficialmente em março deste ano por R$ 4 bilhões. Desse total, R$ 2,4 bilhões correspondem aos ativos, e R$ 1,6 bilhão será referente à dívida líquida assumida pela Claro. A empresa receberá 84 milhões de ações ordinárias da Desktop, que representam 73% da operadora. Os papéis pertencem ao fundo Makalu Brasil Partners, controlado pela HIG Capital, e a pessoas físicas, entre elas o fundador Denio Alves Lindo. Em uma segunda etapa, a Claro deverá fazer uma oferta pelos 27% restantes.
Histórico da aprovação
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) já havia dado anuência prévia à operação em maio. Antes disso, em outubro de 2025, uma análise preliminar do órgão havia indicado possíveis efeitos negativos para o mercado e para a entrada de novos competidores.
A Desktop foi criada em 1997, em Sumaré (SP). A empresa recebeu aporte da HIG Capital em 2020 e abriu capital em 2021. Desde o fim de 2025, negociava com a Claro. Antes, também conversou com a Vivo, mas não houve acordo sobre o preço.







