O Brasil tem cerca de 21 milhões de toneladas de terras raras, a segunda maior reserva do mundo, atrás apenas da China. Mesmo com esse volume, o país ainda extrai e processa uma parcela pequena dos recursos minerais.
Dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) indicam que a China reúne aproximadamente 44 milhões de toneladas em reservas. Em 2025, o Brasil extraiu aproximadamente 2 mil toneladas de terras raras, enquanto a produção chinesa chegou a cerca de 270 mil toneladas.
Processamento pode aumentar o impacto econômico
As terras raras são usadas na fabricação de equipamentos eletrônicos, sistemas de geração de energia, veículos elétricos e componentes da indústria de defesa. O Brasil, porém, ainda precisa ampliar as etapas de processamento e transformação industrial feitas em território nacional.
Um estudo da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) avaliou dois cenários para minerais críticos e terras raras. No primeiro, com foco na exportação dos recursos e baixo nível de transformação interna, o impacto acumulado no Produto Interno Bruto (PIB) poderia chegar a R$ 128,7 bilhões até 2050. A estimativa é de aproximadamente 304 mil empregos no período.
No segundo cenário, que considera processamento, investimentos industriais e uso dos minerais pelas cadeias produtivas brasileiras, o impacto estimado no PIB sobe para R$ 192,1 bilhões. A geração de postos de trabalho poderia alcançar 750 mil vagas até 2050.
A diferença entre os dois modelos é de R$ 63,4 bilhões em impacto econômico e de 446 mil empregos. Os dados mostram que o tamanho das reservas, sozinho, não define o retorno para o país. Também são necessários beneficiamento dos minerais, desenvolvimento de tecnologia e integração com setores industriais de maior valor agregado.
Terras raras e minerais críticos
Terras raras e minerais críticos não são sinônimos. Minerais críticos formam uma categoria mais ampla de recursos essenciais para atividades estratégicas e sujeitos a riscos de abastecimento. Além das terras raras, podem fazer parte desse grupo materiais como lítio, níquel, cobre e grafita.
Esses recursos são relacionados a cadeias de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, transição energética e defesa. Para ampliar o aproveitamento econômico das reservas, o Brasil precisa expandir a produção, o processamento doméstico e a cadeia industrial além da extração mineral.






