Cerca de 20 milhões de crianças e adolescentes de 21 países sofreram algum tipo de exploração ou abuso sexual facilitado pela tecnologia durante um ano, estima o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O relatório também calcula que 15 milhões foram expostos a conteúdo sexual indesejado.
O levantamento indica ainda que 9 milhões foram induzidos a manter conversas de teor sexual ou compartilhar imagens contra a própria vontade. Em 4 milhões de casos, imagens das vítimas foram vazadas. Para os especialistas do Unicef, os números podem ser maiores, porque muitas vítimas não contam o que aconteceu.
Mais de 40% das ocorrências informadas durante a coleta de dados não foram reveladas pelas vítimas. O principal motivo apontado foi não saber onde buscar ajuda ou a quem recorrer.
Redes sociais concentram violações
Em média, cerca de 60% das violações ocorreram em plataformas como Facebook, Instagram, Snapchat, TikTok e WhatsApp. Os jogos online responderam por cerca de 14% dos crimes. O relatório afirma que esses ambientes podem facilitar o abuso porque a interação depende da confiança entre os jogadores.
Mais da metade dos casos declarados aos pesquisadores, 57%, envolvia alguém do convívio da criança ou do adolescente, como familiares, conhecidos, amigos, namorados e namoradas. Em 38% das situações, as vítimas conheceram os agressores pela primeira vez na internet.
O estudo foi elaborado a partir das respostas de 21 mil crianças e adolescentes com idade entre 12 e 17 anos, de 21 países, em entrevistas realizadas entre 2020 e 2025. Os relatos mostram que os agressores usavam presentes, dinheiro, atenção e coerção para influenciar as vítimas.
Cenário brasileiro
No Brasil, 19% dos entrevistados foram atingidos por esse tipo de violência, o equivalente a quase 3 milhões de crianças e adolescentes. Menos de 1% das ocorrências foi denunciado.
A internet esteve presente em 55,5% dos casos brasileiros, e a escola, em 24,5%. Os aplicativos de mensagens e as redes sociais apareceram como os canais mais perigosos, com 66,5% dos registros. Entre as plataformas, o Instagram teve 57,2% e o WhatsApp, 52,1%. Os jogos online representaram 12,3%.
"Muitas crianças sofrem em silêncio, sem saber ao certo onde procurar ajuda. Nós não podemos ignorar isso", afirmou Catherine Russell, diretora-executiva do Unicef.






