Domingo, 6 de setembro de 2026
Saúde

Perda gestacional pode afetar saúde mental e exige acolhimento

Especialistas orientam atenção a sinais de sofrimento intenso e reforçam a importância de apoio profissional, familiar e dos amigos.

Perda gestacional pode afetar saúde mental e exige acolhimento

A perda gestacional pode provocar sofrimento intenso e exige acolhimento, assistência especializada e atenção à saúde mental. A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) alerta que esse cuidado ainda é negligenciado por familiares, amigos e profissionais de saúde.

A perda gestacional precoce é uma interrupção involuntária da gravidez que pode ocorrer até a 20ª semana. De acordo com o obstetra Eduardo Felix Martins Santana, entre 15% e 20% das gestações não evoluem. Para ele, é importante que a mulher não enfrente o luto sozinha.

Romulo Negrini, vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Assistência ao Abortamento, Parto e Puerpério da Febrasgo, afirma que a perda pode causar tristeza profunda, sensação de vazio, culpa, ansiedade, dificuldade para dormir, irritabilidade e perda do interesse pelas atividades do dia a dia. Esses sentimentos podem ser uma reação humana esperada e não significam, por si só, a presença de uma doença psiquiátrica.

Quando buscar tratamento

A psiquiatra Andréa Cristina Galastri explica que as alterações hormonais relacionadas à perda duram cerca de 15 dias e também podem impactar a saúde mental. Segundo ela, a situação exige atenção quando o sofrimento persiste e a mulher apresenta ansiedade, depressão, sensação de fracasso ou a ideia de que não tem mais razão para viver.

Perder funções do dia a dia, parar de comer, não conseguir dormir e chorar sem parar são sinais de alerta, especialmente quando duram mais de 15 dias ou mais de um mês. Nesses casos, pode haver um problema mais grave, passível de tratamento.

A médica afirma que o sofrimento é esperado, mas a interrupção da vida cotidiana não. Quando há depressão ou luto patológico, a indicação pode incluir psicoterapia e medicação.

A importância da rede de apoio

Santana defende que a mulher seja aproximada do cuidado médico, familiar e dos amigos. O processo pode envolver aceitação, negação, raiva e tristeza profunda, e todos esses estágios precisam de acolhimento.

Para o obstetra, médicos, órgãos reguladores e sociedades médicas devem atuar de forma proativa. Ele também considera necessário ampliar essa assistência para todo o Brasil, para que as pacientes não precisem voltar ao consultório apenas quando já estiverem deprimidas.

Kalyane Ribeiro, que vive com o marido em Campinas, no estado de São Paulo, encontrou apoio profissional e também em outras mulheres. Ela criou uma comunidade online para que pessoas com experiências semelhantes pudessem conversar e ser ouvidas. O grupo reúne mulheres de diferentes faixas etárias, incluindo meninas de 13 anos e mulheres que passaram pela perda gestacional há mais de 20 anos.

Da experiência surgiu o livro Ainda me Sinto Mãe, com textos de Kalyane sobre vivências dela e de outras mulheres. Aos 34 anos, ela trabalha na área de marketing e mantém a comunidade nas redes sociais.

Onde buscar ajuda

Pessoas com pensamentos ou sentimentos de querer acabar com a própria vida devem procurar alguém de confiança e acionar a rede de apoio, formada por familiares, amigos, educadores e serviços de saúde.

O Ministério da Saúde orienta buscar atendimento em Centros de Atenção Psicossocial (Caps), Unidades Básicas de Saúde, UPAs 24H, hospitais e prontos-socorros. Também é possível ligar para o SAMU 192.

O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional e prevenção do suicídio pelo telefone 188, com atendimento gratuito, voluntário e sigiloso. O serviço funciona 24 horas todos os dias e também atende por e-mail, chat e voip.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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