PORTO FELIZ — A fábrica de motores da Toyota voltou a operar nesta terça-feira (22), com a retomada da área de fundição. A unidade ainda trabalha abaixo do ritmo ideal, um ano depois de uma microexplosão atmosférica destruir boa parte de sua estrutura em Porto Feliz (SP).
A produção completa está prevista para o começo de 2028. Até meados do mesmo ano, a empresa pretende concluir a reconstrução e voltar a ter 830 funcionários dedicados à fabricação de motores. Atualmente, 150 trabalhadores da fundição retornaram às atividades depois de serem deslocados para outras funções durante a reforma.
O projeto também ampliou a área construída e reforçou a estrutura da fábrica. De acordo com Gilberto Paulino, diretor industrial da Toyota no Brasil, a construção ficou 45% mais forte que a anterior com o uso de colunas metálicas, entre outras mudanças.
Reconstrução e novos equipamentos
O telhado foi destruído no incidente, assim como parte das colunas estruturais. A fábrica recebeu novos fornos de baixa pressão para a produção de cabeçotes. Os equipamentos antigos foram danificados quando o alumínio que estava dentro deles solidificou.
A Toyota já avaliava substituir os fornos, e o acidente antecipou a decisão. A companhia também precisou reorganizar a produção para manter o fornecimento dos motores do Yaris Cross, lançado no mercado brasileiro em fevereiro deste ano.
O modelo usa motores 1.5 flex e 1.5 híbrido flex, ambos com injeção direta. Esses propulsores não são fabricados em outros países. Por isso, cerca de uma semana depois do incidente, a empresa decidiu alugar um galpão e transferir para lá os equipamentos necessários à produção.
A estrutura escolhida foi o condomínio DVR, a 11 quilômetros da fábrica da Toyota em Sorocaba. O local tinha um galpão de 45 mil m², enquanto a empresa precisava de uma área de pelo menos 28 mil m². A transferência dos equipamentos ocorreu com caminhões e trabalho contínuo, 24 horas por dia.
Em janeiro de 2026, quatro meses após o acidente, a unidade provisória estava pronta para produzir 400 motores 1.5 flex e 1.5 híbrido flex por dia. A capacidade permitiu o lançamento do Yaris Cross, cuja pré-venda havia começado em novembro de 2025.
Produção provisória e próximos passos
A linha do motor 2.0, usada no Corolla e no Corolla Cross, também foi levada ao galpão. Como esse propulsor é fabricado em outros mercados, a matriz da Toyota garantiu o volume necessário para o Brasil. A empresa concentrou a estrutura provisória nos motores 1.5, que não têm produção fora do país.
A matriz ainda ajudou a fabricar componentes usinados para os motores 1.5 depois de receber os moldes enviados do Brasil. A usinagem não foi transferida para o DVR por causa do tamanho e do peso dos equipamentos.
Desde o início da produção no galpão alugado, foram fabricados 42 mil motores. Parte deles tinha injeção multiponto e não contava com sistema flex, em versões destinadas à exportação. A maior parte, porém, foi configurada para o mercado brasileiro.
A Toyota já decidiu que a produção dos motores 2.0 voltará para Porto Feliz. Até que isso aconteça, a matriz continuará abastecendo o mercado brasileiro. Ainda está em avaliação o destino da linha 1.5, porque uma eventual transferência exigiria parar a produção e não haveria apoio de outro mercado.
Segundo Gilberto Paulino, a empresa analisa duas alternativas: aumentar o ritmo para formar estoque antes da mudança ou manter a fabricação dos motores 1.5 no galpão e levar para Porto Feliz apenas a linha do 2.0.
O galpão do DVR é alugado em nove módulos. Quando a linha do 2.0 for transferida, parte deles poderá ser devolvida, reduzindo a área ocupada e os custos. O contrato atual vale até outubro de 2028 e pode ser readequado depois desse período.
A meta da Toyota é chegar a 700 motores por dia no Brasil até 2028: 400 unidades do 1.5 e 300 do 2.0.







