PORTO FELIZ — A Toyota retomou nesta terça-feira (22) as operações da fábrica de motores em Porto Feliz (SP), um ano depois de a unidade ser destruída por um vendaval. O reinício foi marcado por um evento com funcionários. A fábrica produz motores usados pelo grupo e também atende outros mercados.
A reconstrução deixou as estruturas 45% mais reforçadas que as anteriores e já prevê futuras ampliações. As novas colunas do prédio são metálicas. Segundo a Toyota, os danos foram cobertos pelo seguro contratado, que estava vigente.
A produção inicial terá capacidade para 400 motores do Yaris por dia. Considerando também o motor 2.0, a capacidade total será de 700 veículos por dia. Nesta primeira fase, 150 pessoas participarão da retomada em Porto Feliz.
Antes do vendaval, cerca de 800 pessoas trabalhavam na unidade. Durante a paralisação, os funcionários foram direcionados para a planta de Sorocaba (SP), para a unidade atual DVR e para atividades ligadas à implantação ou à reimplantação da fábrica de Porto Feliz. A previsão é que os trabalhadores que estavam em Sorocaba retornem à unidade reconstruída.
A Toyota espera transferir toda a operação para Porto Feliz em 2028, incluindo a montagem do motor 2.0. A permanência por mais tempo em uma estrutura alugada ainda está em avaliação.
A fábrica fica às margens da Rodovia Marechal Rondon e, conforme a empresa, terá uma função maior na estratégia industrial da Toyota, com atendimento ao Brasil e a outros mercados. O projeto faz parte do plano de investimentos de R$ 11,5 bilhões previsto para o Brasil até 2030, que inclui competitividade, tecnologia local, exportações e produção nacional.
“A reconstrução de Porto Feliz é também um projeto de competitividade industrial”, afirmou Gilberto Paulino, diretor industrial da Toyota do Brasil. Segundo ele, o trabalho foi planejado para manter a produção local, elevar a produtividade e preparar a unidade para a estratégia da empresa no Brasil e na região.
A companhia reorganizou sua cadeia internacional para manter a fabricação de veículos no Brasil. Operações no Japão, na Europa e na Ásia forneceram motores e componentes, permitindo a retomada da produção brasileira cerca de 40 dias após o incidente. Ao mesmo tempo, a empresa manteve sua base de fornecedores brasileiros e avançou na reconstrução.
Depois do vendaval, a fundição passou a ser feita na matriz, no Japão. Em um galpão alugado em Porto Feliz, ficaram a usinagem e a montagem dos motores. O espaço tinha 45 mil metros quadrados e reunia 373 colaboradores. Ali eram produzidos motores flex, flex híbridos e somente a gasolina. Os motores a gasolina são destinados à exportação para 23 países, com a Argentina como maior consumidora.
Para manter a produção, a empresa precisava de 25 mil metros quadrados em um único local. A solução foi alugar galpões em um condomínio empresarial de Porto Feliz, a 11 quilômetros da fábrica da montadora, em Sorocaba. Com apoio da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) e da Prefeitura de Porto Feliz, a adequação da energia elétrica, prevista para 10 meses, foi concluída em três.
Em 26 de janeiro de 2026, quatro meses após o vendaval, a operação no prédio alugado começou. Na ocasião, a empresa produziu o primeiro veículo flex híbrido fabricado no Brasil.
O temporal de setembro do ano passado destelhou a fábrica, interrompeu as atividades e afetou as unidades de Sorocaba e Indaiatuba. A estrutura sofreu danos severos, veículos estacionados foram destruídos e cerca de 30 funcionários tiveram ferimentos leves, com liberação após atendimento médico. As rajadas chegaram a 90 km/h.







