São Bernardo do Campo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Investigação rastreia caminhos do dinheiro ligado ao filme Dark Horse

Recursos passaram por fundo nos EUA, empresas privadas e emendas parlamentares; origem e destino ainda são apurados.

Nacional - Quanto dinheiro passou por Dark Horse? Família Bolsonaro inovou nas formas de arrecadação com o filme

As investigações sobre o financiamento de Dark Horse, filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, ainda não determinaram quanto dinheiro foi arrecadado, quem financiou o projeto nem qual foi o destino final dos recursos.

A Go Up Entertainment afirma, com base em uma perícia privada contratada pela defesa, que a produção custou US$ 13,4 milhões, aproximadamente R$ 75 milhões. Ao mesmo tempo, documentos e investigações apontam diferentes caminhos de entrada de dinheiro.

Nesta quinta-feira (24), a terceira fase da Operação Carbono Oculto, chamada Crédito Oculto, atingiu a Entre Investimentos. A Polícia Federal aponta a empresa como intermediária de recursos enviados por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, ao fundo norte-americano Havengate, ligado ao financiamento do filme.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a Entre recebia recursos do Banco Master e de grupos ligados ao crime organizado. Ao ser questionado se o dinheiro relacionado a Dark Horse poderia ter vindo dessa estrutura, disse que “tudo indica que sim”, mas destacou que a investigação precisa rastrear a origem de cada recurso.

O dinheiro negociado com Vorcaro

Flávio Bolsonaro confirmou que procurou Vorcaro para buscar financiamento privado para o filme. Conforme as investigações, o valor inicialmente discutido chegou a US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na época. Vorcaro teria enviado US$ 12,33 milhões ao projeto, hoje próximos de R$ 63 milhões.

Os repasses foram feitos pela Entre Investimentos ao Havengate Development Fund, sediado nos Estados Unidos. Flávio afirmou depois que o investimento ficou em “12 milhões e alguma coisa de dólares”. Esse montante se aproxima do custo total informado pela produtora.

A perícia apresentada pela Go Up diz que o Havengate teria bancado toda a produção. O documento, porém, foi elaborado com material fornecido pela defesa, não identificou Vorcaro nominalmente e não detalhou todos os financiadores.

Valores que entraram na produtora

Documentos analisados pela Polícia Federal e pelo Coaf mostram que a Go Up recebeu aproximadamente R$ 8,95 milhões diretamente em suas contas entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025. Os principais remetentes foram Moneycorp Banco de Câmbio, com R$ 3,92 milhões; GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural, com R$ 2,61 milhões; Marcello de Oliveira Lopes, com R$ 1 milhão; NTT Brasil, com R$ 750 mil; e Mário Frias, com R$ 645,4 mil.

Esses pagamentos não representam necessariamente fontes independentes. A Moneycorp atua no mercado de câmbio, e parte do valor pode estar relacionada à conversão de recursos vindos do exterior. Já a GO7 pertence a Karina Gama, que também controla a Go Up.

Marcello Lopes, ex-marqueteiro de Flávio Bolsonaro, afirmou que o R$ 1 milhão foi um investimento privado feito com recursos próprios. A Polícia Federal não atribuiu irregularidade específica ao pagamento.

Emendas parlamentares sob apuração

A Polícia Federal também investiga R$ 2 milhões em emendas destinadas por Mário Frias a entidades comandadas por Karina Gama. Frias é produtor-executivo e um dos roteiristas de Dark Horse.

Relatórios da Controladoria-Geral da União apontaram problemas na execução dos projetos. Em uma das operações analisadas, R$ 700 mil recebidos pelo Instituto Conhecer Brasil foram encaminhados à Dinâmica Editora e ao Instituto Super Poder Educacional. Depois, a NTT Brasil, ligada ao mesmo grupo empresarial, transferiu R$ 750 mil para a Go Up.

A PF apura se recursos públicos passaram por essas empresas até chegar à produção. Ainda não concluiu, porém, que os mesmos R$ 700 mil das emendas correspondam aos R$ 750 mil depositados posteriormente na conta da produtora.

Flávio Dino afirmou haver indícios, ainda no “terreno hipotético da investigação”, de que Frias teria papel de liderança na suposta arquitetura de desvio de emendas. O deputado nega irregularidades e diz que o dinheiro parlamentar foi destinado a projetos sociais.

Além disso, Frias transferiu R$ 645,4 mil de sua conta para a produtora. A Polícia Federal questionou se os pagamentos são compatíveis com os rendimentos declarados pelo parlamentar.

Participação de Eduardo Bolsonaro

Relatório da Polícia Federal registra que Eduardo Bolsonaro deu orientações sobre a administração, nos Estados Unidos, dos recursos destinados ao filme. Em mensagens atribuídas a ele, o então deputado defendeu o envio da maior quantidade possível de dinheiro pelo modelo de remessas usado.

O Havengate foi criado por Paulo Calixto e Altieris Santana. Calixto é advogado ligado a Eduardo Bolsonaro. Segundo a PF, o fundo, que havia sido criado para operações imobiliárias e estava praticamente inativo, começou a receber recursos em fevereiro de 2025.

As informações públicas disponíveis não permitem afirmar que o dinheiro formalmente destinado ao filme tenha sido usado em despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro ou de sua família.

O que ainda falta esclarecer

Somar todos os valores identificados seria incorreto, porque algumas operações podem corresponder a etapas diferentes da circulação do mesmo dinheiro. A produtora declara custo de aproximadamente R$ 75 milhões, enquanto a negociação com Vorcaro chegou a aproximadamente R$ 134 milhões, com envio de cerca de US$ 12,33 milhões.

As investigações buscam identificar quem colocou dinheiro no projeto, quanto foi captado, por quais estruturas os recursos passaram e onde terminaram. Também não há respostas conclusivas sobre eventual uso de valores captados para atividades sem relação direta com o filme, produção ou impulsionamento de conteúdo político e despesas que deveriam ser declaradas como gastos eleitorais.

Dark Horse ainda não estreou, mas o financiamento da obra é investigado em apurações que envolvem o Banco Master, o Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal, a Receita Federal e o Ministério Público.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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