PORTO FELIZ — A Toyota voltou a usar parte da área original de sua fábrica de motores em Porto Feliz com a inauguração de uma nova fundição. A estrutura foi reconstruída com reforços metálicos 45% mais resistentes que os do projeto inicial. A empresa prevê levar toda a produção do motor 2.0 de volta ao complexo até 2028.
A retomada ocorre depois que uma microexplosão atmosférica derrubou o telhado da unidade em 22 de setembro de 2025. A linha de montagem ficou exposta à chuva, ao sol e aos equipamentos de alta precisão. Antes do desabamento, uma queda de energia acionou o protocolo de segurança e retirou os funcionários da área principal. Três minutos depois, a cobertura cedeu.
Produção em espaço provisório
Para manter as atividades, a Toyota transferiu parte dos equipamentos para galpões do condomínio empresarial DVR, a 11 quilômetros da fábrica de veículos de Sorocaba. A instalação tinha piso de alta resistência, refeitório e pátio, mas sua rede elétrica não suportava a operação industrial. A subestação, que levaria cerca de dez meses para ser construída, ficou pronta em três com apoio da concessionária local. Os testes começaram com geradores portáteis.
A movimentação incluiu 622 máquinas, transportadas a um ritmo de dez por dia. A produção foi retomada em 26 de janeiro de 2026, quatro meses depois do incidente. No complexo temporário, a prioridade foi o motor 1.5 do Yaris Cross, versão exclusiva para o Brasil, com tecnologia híbrida flex e injeção direta. A unidade passou a entregar 400 propulsores por dia.
A Toyota também precisou lidar com a perda de equipamentos da fundição. O alumínio destinado à linha de alta pressão foi recuperado depois de ser reaquecido, mas o equipamento de baixa pressão, responsável pelo cabeçote, foi perdido. Para manter o fornecimento das peças, moldes exclusivos foram enviados ao Japão e à Indonésia.
Retorno gradual ao complexo
Os equipamentos do motor 2.0 flex, usado em Corolla e Corolla Cross, foram armazenados no local provisório. A demanda foi absorvida pela matriz, já que o propulsor produzido no Japão não é flex. Porto Feliz passou a enviar peças de fornecedores nacionais para o exterior e a importar o motor pronto.
A reconstrução foi coordenada por uma equipe mantida em um único local, conforme orientação da matriz brasileira. A empresa criou uma “Obeya”, sala voltada à tomada rápida de decisões, para organizar a operação. “O que demora quatro meses para fazer um layout desse, nós fizemos em quatro dias”, disse Gilberto Paulino, diretor industrial da Toyota.







