O Banco Central afirmou nesta terça-feira (22) que não vai antecipar os próximos movimentos da taxa Selic. A instituição também reforçou que pretende manter uma política monetária restritiva até que a inflação convirja para a meta.
A autoridade monetária disse que seguirá conduzindo os juros com “perseverança, firmeza e serenidade”. A avaliação é que essa postura ajuda a reancorar as expectativas de inflação, aproximando as projeções dos agentes econômicos das metas dos próximos anos e reduzindo o custo para a atividade econômica.
O BC reconheceu que os dados mais recentes mostram desaceleração da inflação ao consumidor, tanto no índice cheio quanto nas medidas subjacentes. Mesmo assim, destacou que as expectativas continuam acima da meta em todos os horizontes analisados. Esse cenário é considerado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na definição da taxa básica de juros.
Por que as expectativas influenciam os juros
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Quando os juros sobem ou permanecem elevados, o crédito fica mais caro, o que tende a diminuir empréstimos, investimentos e consumo. Com isso, a pressão sobre os preços pode ser reduzida, embora o ritmo da economia também possa ser afetado.
As decisões do BC não consideram apenas a inflação corrente. A instituição também analisa as projeções futuras porque os efeitos da política monetária não aparecem imediatamente: a transmissão da Selic costuma levar de seis a 18 meses para ser concluída.
O Brasil adotou, desde o início de 2025, o sistema de meta contínua. A meta central foi fixada em 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Em junho, depois de a inflação permanecer por seis meses consecutivos acima do limite, o Banco Central divulgou uma carta pública para explicar o descumprimento.
Neste momento, a autoridade monetária já considera o horizonte do primeiro trimestre de 2028 na avaliação da trajetória dos juros. As estimativas do mercado financeiro indicam inflação de 4,92% em 2026, 4,3% em 2027 e 3,80% em 2028. Todos esses valores estão acima da meta central de 3%.







