SANTA BÁRBARA D’OESTE — Uma porta na dianteira, banco para dois adultos e uma criança e motor refrigerado a ar resumiam a proposta da Romi-Isetta, apresentada como o primeiro automóvel brasileiro produzido em série. O microcarro completa 70 anos desde a fabricação da primeira unidade nacional.
A Romi produziu o veículo a partir de uma concessão obtida da italiana Iso Autoveicoli S.p.A. A iniciativa foi de Carlos Chiti, enteado e sócio do industrial paulista Américo Emílio Romi. A dupla já havia criado a oficina Garage Santa Bárbara, em 1929, responsável pela produção de máquinas agrícolas, tornos e do Toro, apontado como o primeiro trator nacional.
Da experiência europeia à fábrica paulista
Chiti conheceu a Isetta e avaliou que o modelo urbano poderia ser fabricado no Brasil. A Romi importou duas unidades, desmontou os veículos e concluiu que a produção nacional era possível. Em 1955, Chiti e Emílio viajaram à Europa e voltaram com a concessão da Iso.
A primeira Romi-Isetta brasileira saiu da fábrica em 30 de junho de 1956. Emílio conduziu o carro acompanhado de Olímpia, sua mulher, sob aplausos dos operários. O lançamento oficial aconteceu em setembro, quando uma frota desfilou pelo então sofisticado Centro de São Paulo sob o comando de Carlos Chiti.
O modelo tinha motor monocilíndrico de dois tempos, 198 cc e 9,5 cv, transmissão manual de quatro marchas e velocidade prometida de 85 km/h. O consumo anunciado era de 26 km com 1 litro de gasolina. A carroceria tinha uma porta e dois lugares, conforme a ficha técnica, embora o banco dianteiro comportasse três pessoas.
Em 1957, a carroceria passou por pequenas mudanças e a cilindrada aumentou para 236 cc. No ano seguinte, uma caravana com 33 exemplares percorreu o trajeto de São Paulo ao Rio de Janeiro. A publicidade também levou a Romi-Isetta a revistas, jornais e à TV Tupi, onde apareceu na série Alô, Doçura!, com Eva Wilma e John Herbert.
O fim da produção
Em 1959, a Romi lançou o modelo 300, com motor BMW de quatro tempos e 298 cc. A potência cresceu 40%, e a nacionalização do veículo passou de 70 para 78%. Naquele mesmo ano, em 15 de março, Emílio Romi morreu em razão de um derrame cerebral.
A Romi-Isetta ainda participou do I Salão do Automóvel, em 1960. Em 2 de fevereiro daquele ano, Juscelino Kubitschek recebeu a Caravana da Integração Nacional em Brasília e desfilou com o carro de capota aberta.
A produção terminou em 1961. As normas do GEIA exigiam capacidade mínima para quatro passageiros e ao menos duas portas. A falta de incentivos fiscais e subsídios de importação também contribuiu para o encerramento do modelo.







