O número de pedidos para a primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) chegou a 7,3 milhões entre janeiro e agosto de 2026, informou o Ministério dos Transportes. O volume foi 216% maior que o registrado no mesmo período de 2025, quando foram requeridos 2,3 milhões de pedidos.
A alta ocorreu após a entrada em vigor das novas regras para obter a habilitação, aprovadas no fim do ano passado. A principal alteração foi o fim da obrigatoriedade de fazer aulas em autoescolas.
Como funciona o novo modelo
O candidato pode fazer os cursos teórico e prático em instituições credenciadas ou com instrutores autônomos autorizados. Também é possível manter o modelo tradicional e realizar todo o processo em uma autoescola, que continua funcionando.
As aulas teóricas podem ser feitas gratuitamente e online pelo aplicativo CNH do Brasil, ligado ao governo federal. O aplicativo também oferece a versão digital da CNH e outros serviços ao condutor. Não existe mais a exigência de cumprir 45 horas teóricas: o candidato estuda no próprio ritmo.
Na parte prática, a carga obrigatória caiu de 20 para 2 horas. O aluno pode escolher entre uma autoescola e um instrutor autônomo credenciado pelos Detrans. Também pode usar carro próprio, desde que o veículo cumpra os requisitos do Código de Trânsito Brasileiro, como equipamentos obrigatórios em dia, manutenção adequada e documentação regular.
Nos primeiros oito meses de 2026, foram realizados 4,4 milhões de cursos teóricos e formados mais de 2 milhões de novos condutores. Dos 4.182.803 cursos práticos feitos no período, 553 mil foram ministrados por instrutores autônomos. Eles responderam por 13,2% dos cursos, enquanto 86,8% ainda foram realizados em autoescolas.
Os instrutores independentes precisam ser cadastrados pelos Detrans e cumprir requisitos de idade, experiência e formação pedagógica. Suas atividades são registradas no aplicativo. Os nomes dos profissionais autorizados ficam disponíveis no site do Ministério dos Transportes e podem ser consultados pelo aplicativo Carteira Digital de Trânsito (CDT), com dados de credenciamento e validade da autorização.
Resultados registrados pelo governo
Segundo o Ministério dos Transportes, o tempo de espera para obter a habilitação caiu 30% em relação ao período anterior. A economia estimada pela pasta é de quase R$ 10 bilhões.
A proporção de novos habilitados com registro de infração diminuiu 77,1%. O ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que uma possível justificativa é a liberdade para o aluno escolher quem vai ensinar a dirigir.
O governo também informa que as mudanças podem reduzir em até 80% o custo para obter a habilitação, que hoje pode chegar a R$ 5 mil. A Secretaria Nacional de Trânsito afirma que 20 milhões de pessoas dirigem sem habilitação e que 30 milhões têm idade para tirar a carteira, mas não têm dinheiro para pagar.
O processo também deixou de ter o prazo de um ano para ser concluído. O candidato pode avançar no próprio ritmo. Em caso de reprovação na prova prática, há direito a uma segunda tentativa gratuita.
Renovação automática e situação das autoescolas
Entre janeiro e agosto, foram realizadas 1,73 milhão de renovações automáticas para bons condutores. A medida foi anunciada em janeiro deste ano e tem efeito retroativo a 10 de dezembro de 2025.
Pode receber o benefício quem não tem pontos nem infrações registradas na CNH nos últimos 12 meses e está inscrito no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC). A renovação é automática e gratuita, mas há exceções para condutores com 70 anos ou mais, motoristas a partir de 50 anos e pessoas cuja validade da CNH foi reduzida por recomendação médica.
De acordo com George Santoro, 24 de 27 estados aplicam o teto de R$ 180,00 para exames de aptidão física, mental e psicológica. Minas Gerais, Mato Grosso e Sergipe cobram acima desse valor por força de decisão judicial.
De janeiro a agosto, 478 autoescolas encerraram as atividades, contra 266 no ano passado. No mesmo período, foram abertas 166 escolas, ante 402 em 2025. Santoro disse que os números indicam uma reorganização do mercado. Nenhuma escola decretou falência, e houve redução líquida de aproximadamente 2% no estoque de estabelecimentos.
Mesmo com as mudanças, continuam obrigatórios o registro biométrico, o exame médico, a prova teórica e a prova prática.







