São Bernardo do Campo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Carros

Drogômetro não deve punir quem usa remédio prescrito, diz Senatran

Aparelho poderá identificar drogas na saliva, mas deverá ser calibrado para não apontar uso médico sem alteração da capacidade psicomotora.

Drogômetro não deve punir quem usa remédio prescrito, diz Senatran
Foto: Getty Images via BBC

Motoristas que usam medicamentos prescritos por profissionais de saúde não deverão ser prejudicados pelas novas regras para as blitzes da Lei Seca. A afirmação é de Adrualdo Catão, secretário nacional de Trânsito, que explicou como deve funcionar o chamado drogômetro, aparelho capaz de identificar substâncias psicoativas na saliva.

A regulamentação abre a possibilidade de testes para detectar substâncias como maconha, cocaína, anfetaminas e opioides no organismo do condutor. A medida gerou preocupação entre pessoas que fazem tratamentos contra a dor, usam estimulantes para tratar o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) ou recorrem a medicamentos com canabinoides.

O que o teste vai identificar

Segundo Catão, a infração não está na simples presença de vestígios de uma substância, mas em dirigir sob efeito de algo que possa comprometer a capacidade psicomotora. A regra vale para drogas que afetem os reflexos e a condução segura do veículo, assim como já ocorre com o álcool.

O drogômetro funciona de maneira diferente do bafômetro. Em vez de analisar o ar expirado, o aparelho examina uma amostra de saliva. A coleta é feita com uma pequena esponja embebida em ácido cítrico, que estimula a produção de saliva. Depois, o material é colocado no equipamento para leitura.

O toxicologista Alvaro Pulchinelli Jr., da Toxicologia Pardini, do Grupo Fleury, explicou que a análise da saliva é menos invasiva do que exames que exigem urina ou sangue. Alguns modelos têm funcionamento parecido com o de testes de covid-19, com indicação para resultado positivo ou negativo. A estimativa é que o procedimento completo leve cerca de 15 minutos.

Aparelhos ainda passarão por certificação

Antes de serem comprados por departamentos estaduais de trânsito e pela polícia rodoviária, os equipamentos precisarão ser avaliados e certificados por instituições acreditadas pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

Essa etapa deverá definir os limites usados para determinar se um resultado é positivo ou negativo. Catão afirmou que um equipamento não será certificado caso identifique qualquer vestígio pequeno das substâncias. A Secretaria Nacional de Trânsito acompanhará o processo com o Inmetro.

Depois da certificação, ainda será necessário definir como os testes serão aplicados nas blitzes. O planejamento pode levar alguns meses e deverá considerar o tempo de duração do exame e o impacto no fluxo de veículos.

Motorista precisará levar receita?

De acordo com Catão, não será necessário portar atestado médico ou receita para comprovar o uso de medicamentos. A expectativa é que os aparelhos sejam calibrados para apresentar resultado negativo quando a substância for usada com orientação de profissionais de saúde e não causar alteração da capacidade psicomotora.

“Você não pode ser abordado e punido porque consome um remédio de acordo com o que seu médico orientou”, afirmou o secretário nacional de Trânsito.

O objetivo declarado pela Senatran é verificar se o motorista teve a capacidade de dirigir afetada pelo uso de uma substância, e não investigar o tráfico de drogas. Pulchinelli disse que ainda será necessário definir quais aparelhos serão adotados e como os testes ocorrerão.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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