São Bernardo do Campo, Segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Brasil

Anistia denuncia recrutamento enganoso de estrangeiros pela Rússia para a guerra

Relatório cita brasileiros, colombianos e cidadãos de outros países atraídos por falsas ofertas de emprego e enviados ao front.

Anistia denuncia recrutamento enganoso de estrangeiros pela Rússia para a guerra

A Anistia Internacional denunciou nesta quinta-feira (10) que a Rússia atrai estrangeiros de países como Brasil, Colômbia e Cuba para lutar na Ucrânia. O relatório da organização reúne entrevistas com prisioneiros de guerra que afirmaram ter assinado contratos militares com Moscou.

Além de brasileiros e colombianos, estão entre os atingidos cidadãos do Sri Lanka e da África do Sul. Segundo a organização, alguns foram levados à Rússia por anúncios falsos de emprego e obrigados a se alistar depois de chegar ao país.

A secretária-geral da Anistia Internacional, Agnès Callamard, afirmou que a prática atinge pessoas e comunidades vulneráveis em diferentes partes do mundo. Até agora, as autoridades russas não se manifestaram publicamente sobre as acusações.

Como funcionaria o recrutamento

De acordo com a organização, os recrutadores anunciam na internet vagas que não existem ou oferecem empregos bem remunerados no setor civil. Também são abordados estrangeiros em situação irregular na Rússia, com promessas de autorização de residência ou passaporte em troca do alistamento.

Callamard disse que a Rússia costuma procurar no exterior homens com menos de 40 anos, principalmente em países mais pobres, usando a promessa de trabalho como principal argumento.

Depois da chegada, os estrangeiros podem ter os passaportes confiscados e ser obrigados a assinar documentos que não compreendem. O relatório também menciona treinamentos básicos e dificuldades para conversar com superiores por causa da barreira do idioma.

“Basicamente, são bucha de canhão”, afirmou Callamard.

Um caminhoneiro da África do Sul, segundo o relatório, foi chamado a Moscou para trabalhar como motorista. Ao chegar, teve todos os seus pertences confiscados.

Estrangeiros nos Exércitos

Rússia e Ucrânia recrutam estrangeiros desde que Moscou invadiu o território ucraniano, há quatro anos e meio. A Ucrânia informou em abril que mais de 28 mil estrangeiros de 136 países combatiam no Exército russo.

As autoridades ucranianas também afirmaram que cerca de 14 mil soldados norte-coreanos lutaram contra as forças de Kiev durante a ofensiva ucraniana na região russa de Kursk, em 2024. Os dois países não divulgaram o total de combatentes estrangeiros em suas fileiras.

A Anistia informou que também não conseguiu falar com estrangeiros presos na Rússia que teriam lutado pela Ucrânia. A organização disse que foi classificada por Moscou como “agente estrangeiro”.

A entidade pediu à Ucrânia e aos governos dos países cujos cidadãos foram recrutados que reúnam provas para investigar o caso como tráfico de pessoas e processar os responsáveis. A definição das Nações Unidas inclui recrutamento, transporte ou alojamento ilegal por meio de fraude, engano ou abuso de poder.

Callamard afirmou que a situação envolve falsas promessas, coerção, violência e exploração. Ela recomendou que Kiev conduza as investigações, mesmo reconhecendo que esse trabalho provavelmente não será uma prioridade para o governo ucraniano.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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