As chuvas registradas no Sudeste e no Centro-Oeste nos primeiros 10 dias de setembro e a previsão para o restante do mês indicam o início do período úmido nessas regiões. O cenário ajuda a manter praticamente estáveis os níveis dos reservatórios das hidrelétricas, em um patamar considerado confortável até o fim do mês, e pressiona para baixo os preços da energia no mercado livre.
A avaliação, porém, é acompanhada de cautela. Meteorologistas apontam que a distribuição das chuvas pode ficar mais irregular à medida que o ano avança, principalmente no Sudeste e no Centro-Oeste. O fenômeno El Niño deve deixar o começo da estação úmida ainda mais chuvoso, mas a quantidade de dias sem chuva tende a aumentar nos próximos meses, junto com temperaturas mais elevadas em boa parte do país.
Previsões diferentes para os próximos meses
Gustavo Verardo, meteorologista da Climatempo, afirma que a irregularidade deve crescer no fim do ano e no começo do ano que vem. Para ele, os preços da energia podem subir entre dezembro e o primeiro trimestre de 2027. “Não esperamos o mês de dezembro tão molhado no Sudeste”, disse.
Mateus Nunes, head de Planejamento Energético da Tempo OK, também prevê redução das chuvas no Sudeste e no Centro-Oeste. A previsão de seca no Norte e no Nordeste, associada ao El Niño, pode aumentar a complexidade da operação do sistema elétrico e a volatilidade dos preços.
Alexandre Nascimento, sócio-diretor e meteorologista da Nottus, tem uma projeção diferente. Segundo ele, modelos europeu e americano indicam continuidade das chuvas no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste. São Paulo, o centro-sul de Minas Gerais, o Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul podem ter precipitações acima do normal até dezembro.
Para setembro, Nunes espera chuvas atingindo primeiro os reservatórios do Sudeste. Em outubro, elas avançariam para reservatórios de fio d’água da região e, em novembro, ficariam mais concentradas na Bacia do Iguaçu, até a altura do Paraná.
Preços recuam no curto prazo
O mercado acompanha a concentração da Energia Natural Afluente de outubro na bacia do Paraná. Matheus Machado, especialista de inteligência de mercado do Grupo Bolt, afirma que cerca de 75% da ENA do Sudeste e do Centro-Oeste em outubro está no Paraná. Uma interrupção das chuvas por um mês poderia fazer os preços subirem novamente.
Na plataforma BBCE, o megawatt-hora para setembro era negociado na casa de R$ 147 na quinta-feira, abaixo dos R$ 164 do fechamento da semana passada (4). Para outubro, o valor chegou a R$ 162/MWh, ante R$ 193/MWh no relatório semanal mais recente. O contrato para dezembro estava em R$ 262 por MWh, abaixo dos R$ 273 da sexta-feira passada. Já o primeiro trimestre de 2027 foi negociado a R$ 288/MWh, contra R$ 300 anteriormente.








