A Arábia Saudita e o Egito pediram nesta terça-feira (15) que a navegação seja mantida livre e segura no Mar Vermelho. O apelo ocorre após a Arábia Saudita prometer uma resposta firme aos ataques dos houthis, grupo rebelde do Iêmen que controla uma das entradas da rota estratégica.
O pedido foi feito durante uma reunião no Cairo entre o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, e o presidente egípcio, Abdel Fatah al Sisi. A Presidência egípcia informou que os dois dirigentes destacaram a importância da segurança da navegação nos estreitos de Ormuz e Bab al-Mandeb.
Avanço dos houthis
Depois de anos de trégua na guerra civil do Iêmen, os houthis retomaram em julho os combates contra as forças do governo apoiadas pela Arábia Saudita. O grupo, aliado do Irã, assumiu o controle de todo o território iemenita no Mar Vermelho e do Estreito de Bab al-Mandeb.
A passagem liga o Oceano Índico ao Mar Mediterrâneo e é considerada vital para a Arábia Saudita, maior exportadora mundial de petróleo. O país também enfrenta ataques contra sua infraestrutura petrolífera. O Egito, por sua vez, depende em grande medida das receitas do Canal de Suez para obter divisas.
Al Sisi reafirmou o apoio às medidas adotadas por Riade para proteger sua segurança e estabilidade. O Catar advertiu que o fechamento do Estreito de Bab al-Mandeb pode ter consequências “catastróficas”.
Os combates das últimas semanas deixaram centenas de mortos e cerca de 100 mil deslocados no Iêmen, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. Um ataque no oeste do país matou oito soldados das forças governamentais na segunda-feira, de acordo com duas fontes militares.
A coalizão liderada pela Arábia Saudita afirmou que ataques com mísseis e drones em três regiões deixaram 13 civis feridos. O porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, disse que Riade lançou 52 ataques aéreos contra o Iêmen nas últimas 24 horas.
Reação internacional
Os Estados Unidos anunciaram que vão ampliar o intercâmbio de inteligência e a assistência às forças sauditas, segundo um funcionário ouvido sob condição de anonimato.
A retomada da guerra civil, iniciada em 2014, afetou os preços dos derivados de petróleo. O diesel americano chegou a 6,27 dólares o galão, equivalente a 33 reais, enquanto o barril de Brent se aproximou de US$ 110, ou R$ 585.
A pedido da França, o Conselho de Segurança da ONU discutiria nesta terça-feira, às 19h00 GMT, 16h de Brasília, a situação no Estreito de Bab al-Mandeb. Iêmen e Arábia Saudita confirmaram participação na reunião.
A Arábia Saudita também pediu o adiamento de um encontro com o Irã que seria realizado em Omã. O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei, disse que o Irã não interfere nos assuntos iemenitas e afirmou que os houthis tomam decisões conforme seus próprios interesses.








