CIDADE DO MÉXICO — O Ministério da Saúde apresentou a representantes do governo mexicano o modelo brasileiro de atenção à saúde indígena. A reunião tratou da experiência do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS), que integra o Sistema Único de Saúde (SUS) e atende a mais de 821 mil indígenas nas cinco regiões do país.
A apresentação foi conduzida por Lucinha Tremembé, secretária de Saúde Indígena do Ministério da Saúde. Ela explicou que o subsistema adota princípios como escuta ativa, diálogo e participação direta dos povos indígenas nas decisões.
“O acesso à saúde é um direito de todos”, afirmou Lucinha Tremembé. O encontro também abordou medicina tradicional indígena, participação de parteiras nos sistemas de saúde, direitos humanos, formação de especialistas e interculturalidade. O intercâmbio entre os países discutiu desafios e experiências e ampliou as possibilidades de cooperação técnica.
Como funciona o subsistema
Criado em 23 de setembro de 1999, o SasiSUS é organizado em 34 Distritos Especiais de Saúde Indígena (DSEI), distribuídos pelo território nacional. O modelo busca oferecer atenção integral de forma intercultural, combinando a medicina contemporânea com saberes tradicionais.
Nas aldeias, as Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSI) são a porta de entrada da atenção primária. A rede também tem polos-base em aldeias estratégicas, responsáveis por organizar os atendimentos e dar apoio administrativo e assistencial às equipes de saúde.
Quando há necessidade de serviços especializados ou de média e alta complexidade, os usuários são encaminhados para unidades do SUS. Durante o atendimento nos centros urbanos, pacientes indígenas e acompanhantes ficam nas Casas de Apoio à Saúde Indígena (CASAI) até o retorno às aldeias de origem.
A estrutura reúne 1.211 UBSI, 388 polos-base e 70 Casai. Os atendimentos são feitos por equipes multidisciplinares com médicos, enfermeiros, dentistas, técnicos, nutricionistas, psicólogos e assistentes sociais. Agentes Indígenas de Saúde (AIS) e de Saneamento (AISAN) também atuam na comunicação linguística e cultural entre os povos e os demais profissionais.








